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Clubes se acovardam diante do chefe da CBF

Presidentes dos principais times do Brasil não exigem renúncia de Marco Polo Del Nero e descartam criação da liga independente

Luiz Prosperi

08 de junho de 2015 | 21h20

Clubes da elite do futebol brasileiro perderam a chance de colocar Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, na parede. Em reunião, com o cartola, um dos suspeitos que ainda não apareceram nas investigações da Justiça americana no escândalo de corrupção da Fifa, os dirigentes apenas fizeram algumas exigências.

Em nenhum momento cobraram o afastamento de Del Nero da presidência da entidade. Pediram apenas a extinção do artigo 58 que dá à CBF o poder de veto em eventuais mudanças nos regulamentos dos campeonatos e do calendário. É pouco.

O que os clubes querem é gerenciar as competições e, se for o caso, uma adequação do calendário do futebol brasileiro ao praticado na Europa. Dentro desse cenário, podem propor mudanças nos horários dos jogos, em especial nos disputados no meio da semana.

Neste caso, teriam de se entender com a Globo que já sinalizou aberta para alterar o ditador horário das 22h dos jogos às quartas-feiras.

Ainda desunidos, os clubes não tiveram peito para exigir a gestão total do futebol no País e relegar a entidade a cuidar apenas da seleção brasileira, como se faz na maioria dos países europeus.

Sustentados em suas marcas centenárias, os clubes não se aliaram a outras forças para minar ainda mais o poder da CBF. Nem mesmo conseguiram convencer o Corinthians a ir ao front nesta segunda-feira na batalha contra Del Nero. Também não se aliaram ao Bom Senso FC, movimento que aglutina cerca de mil jogadores brasileiros, para fortalecer suas exigências na casa da CBF.

Após a reunião com Del Nero, que se arrastou por mais de cinco horas, os presidentes dos clubes teriam um encontro reservado na noite desta segunda-feira no Rio. Se entenderem nessa reunião que podem exigir mais, aí sim terão força para balançar a estrutura de uma entidade que tem um de seus vice-presidentes detido na Suíça.

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