Contra a crise, CBF lança “árbitro de vídeo”
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Contra a crise, CBF lança “árbitro de vídeo”

Alvo da CPI do Futebol e pressionado por dirigentes de clubes que se organizam em ligas, Del Nero se vira em busca de fatos novos

Luiz Prosperi

11 de setembro de 2015 | 18h49

CBF atira para todos os lados na tentativa de fortalecer o presidente Marco Polo Del Nero, alvo da CPI do Futebol no Senado e dos agentes do FBI no escândalo da Fifa. As batalhas da entidade se estendem ao STF, crise da arbitragem e movimento dos clubes na formação de ligas regionais. De casa do futebol, a CBF virou um feudo político.

Por enquanto, Del Nero tem se saído bem no embate com os senadores da CPI do Futebol. Por meio de liminares conseguiu bloquear os contratos com patrocinadores da CBF e das agências internacionais que vendem os amistosos da seleção brasileira.

A prometida transparência por parte do secretário-geral Walter Feldman por enquanto não passa de peça de ficção. Senadores terão de espernear nos debates jurídicos para ter acesso aos contratos mantidos sob sigilo por Del Nero.

Na crise da arbitragem no Brasileirão 2015, a batalha está apenas no começo. Clubes pressionam pedindo a cabeça de Sergio Corrêa, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, tido como incompetente por boa parte dos dirigentes. Del Nero resiste à demissão de Corrêa e, por meio de longos artigos no site da entidade, defende que os árbitros são humanos e, portanto, passíveis de erros.

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E nesta sexta-feira o cartola lançou o Árbitro de Vídeo (AV) como a grande tacada da CBF para acalmar presidentes dos clubes, treinadores e jogadores, a maioria indignada com as lambanças e erros forçados dos juízes no Campeonato Brasileiro.

O que é o AV? Segundo a CBF é um árbitro à beira do campo pilotando um monitor de TV. Nos lances polêmicos de pênaltis, impedimentos e gols, o AV teria o poder de, por meio das imagens da televisão, confirmar se o gol foi legal, se existiu o pênalti e se o impedimento aconteceu ou não. Analisando as imagens, o AV passaria a decisão imediata ao árbitro por meio de um ponto eletrônico.

Como não tem poderes para impor o Árbitro de Vídeo, a CBF vai pedir autorização à Fifa para usar esse novo instrumento da arbitragem no Brasileirão de 2016. A Fifa, incomodada com tecnologias no futebol, pode até vetar essa iniciativa da CBF.

Mas até receber o sim ou o não da Fifa, o debate da arbitragem estará em discussão e Del Nero fora do foco político.

O confronto com os clubes na criação das Ligas regionais é mais uma batalha política e financeira. Nesta quinta-feira, os dirigentes criaram a Liga Sul-Minas-Rio para organizar um campeonato em 2016, mais rentável que os estaduais, e desafiar a CBF.

Del Nero sentiu o golpe e estaria articulando com clubes paulistas e cariocas a volta do Torneio Rio-São Paulo. Trata-se de uma estratégia política que tem como pano de fundo disseminar a desordem e quebrar a suposta união dos clubes.

Esqueceram de avisar os torcedores.

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