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Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos não encantam

Luiz Prosperi

21 de fevereiro de 2014 | 12h21

Corinthians e São Paulo não entusiasmam. Palmeiras e Santos apenas dão para o gasto. Há uma distância enorme entre a grandeza desses quatro clubes e o futebol que têm praticado neste início de temporada. Números das campanhas de cada um no Campeonato Paulista não interessam aqui. Importante é analisar a falta de sintonia no campo de jogo e as propostas dos treinadores.

Antes de tudo, cabe ressaltar que, fora o aprendiz Gilson Kleina, os grandes de São Paulo estão sob a batuta de técnicos top, de primeiro time: Mano Menezes, Muricy Ramalho e Oswaldo de Oliveira têm currículo para contrapor aos céticos e dar algo mais às suas equipes.

Veja o caso do Corinthians. Contratado desde novembro do ano passado e anunciado apenas em janeiro deste ano, Mano Menezes teve tempo de sobra para analisar o grupo de jogadores à sua disposição e montar sua estratégia de jogo. Passou um tempo danado sem dar uma resposta e só reformulou o grupo pressionado pela destemida invasão dos vândalos ao CT. Aliás, diga-se de passagem, com suspeita da polícia de que a entrada dos “universitários da fiel” foi facilitada por gente do clube.

Mano não aproveitou o tempo entre sua contratação e o início da temporada para repensar o Corinthians. Por isso não chega a ser uma surpresa o futebol medíocre que o time tem apresentado até aqui.

O caso de Muricy Ramalho também não é muito diferente ao de Mano. Reinstalado no Tricolor desde meados da temporada passada, o sábio do Morumbi não conseguiu reinventar o time. Seus alicerces continuam os mesmos da temporada 2013, com o tripé Ceni, Ganso e Luis Fabiano. Dois desgastados beirando a aposentadoria e sem solução para os problemas da equipe; e um gênio que se escondeu na lâmpada e de lá, parece, não quer sair.

Oswaldo de Oliveira é outro catedrático sem conteúdo para recolocar o Santos nos trilhos. Entre a dúvida de apostar nos meninos ou se escorar nos mais escolados, o treinador deu alguns lampejos de que o time da Vila seria a sensação do Paulistão. Nada feito. Nem o Santos é uma mina de pepitas, nem Oswaldo é de outro planeta. O Santos continua refém de Cícero e Arouca e às boas defesas de Aranha. O frescor da juventude não tem o poder de fazer o time voar como nos tempos de Neymar, que saiu da casa há menos de um ano.

E chegamos a Gilson Kleina, a novidade da temporada. O Palmeiras deu a ele toda a paciência do mundo e recheou o grupo com jogadores de bom nível técnico. Se fosse um desses destemidos do futebol, Kleina poderia ter a ousadia dos sonhadores e fincar seu nome no Palestra Itália. Mas, que nada! Obediente aos dogmas do futebol do interior onde foi forjado, Kleina trata o seu time como alunos aplicados que não podem fazer uma algazarra. Todos têm funções burocráticas.

Com tamanha aplicação de seus jogadores, Kleina tem levado o Palmeiras ao topo do Paulistão e se vangloriado de mexer certo no time quando a situação é adversa dentro de campo. É aquela história, escala errado e depois corrige para sair do jogo como um estrategista. A ingenuidade de Kleina pode custar caro ao Palmeiras.

Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos seguem o curso do rio capitaneados por seus acomodados treinadores. Nenhum deles pensa em desafiar a correnteza. Por isso jogam um futebol chato e, muitas vezes, de puro tédio. Os que gostam de futebol estão desapontados.

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