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Corinthians vira refém das torcidas organizadas no Itaquerão

A pancadaria generalizada entre as torcidas despertou a sede de justiça do STJD que pode punir o Corinthians com a perda de até 12 mandos de campo – um prejuízo ao clube estimado em cerca de R$ 1 milhão por jogo

Luiz Prosperi

23 Setembro 2014 | 18h00

Um dos culpados pelo confronto de torcidas organizadas no Itaquerão é o próprio Corinthians. A briga entre as facções Pavilhão 9 e Camisa 12 no clássico contra o São Paulo, no último domingo, se deu no espaço em que o clube retirou cerca de 7 mil cadeiras para abrigar as organizadas.

Evidente que, sem cadeiras, o espaço ficou livre para ser ocupado na base da força e do número de torcedores. A facção que tiver mais adeptos vai levar vantagem na hora de ocupar o território. Inevitável o confronto. Trata-se de uma disputa para ver quem vai controlar aquele setor do estádio.

Enquadrar a Gaviões, Camisa 12 e Pavilhão 9 para que tenham cordialidade e respeito entre elas é a mesma coisa do que pedir respeito em covil de ladrões. Uma das premissas das torcidas organizadas é a ocupação de território. Não há uma convivência pacífica e sim uma tolerância fútil em nome da paixão pelo clube.

Quando o Corinthians resolveu arregaçar parte de sua arena para dar mais liberdade às facções acabou com o princípio dos novos estádios em que o direito ao assento individual é a sagrado. O clube jogou fora o padrão Fifa. E, no primeiro jogo para ver como as organizadas se comportariam, a batalha comeu solta. Sobrou para a Polícia Militar restabelecer a ordem.

A pancadaria generalizada despertou a sede de justiça do STJD que pode punir o Corinthians com a perda de até 12 mandos de campo – um prejuízo estimado em cerca de R$ 1 milhão por jogo.

Segundo dirigentes do clube, a decisão de tirar as 7 mil cadeiras do Itaquerão atende à reivindicação das facções organizadas. Não será surpresa se, após as brigas de domingo, o setor oposto também sofra uma retirada de cadeiras para separar as facções.

Assim cada torcida teria seu lugar cativo no estádio que custou pouco mais de R$ 1 bilhão para ser erguido.