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Crise do futebol brasileiro bate na Globo

Jogos ruins, quedas de audiência e problemas de gestão dos clubes estão em debate. A revolução no futebol brasileiro não pode esperar

Luiz Prosperi

06 de agosto de 2014 | 13h57

A crise do futebol brasileiro bateu na Globo. Detentora dos direitos de transmissão de todos os grandes campeonatos do Brasil, da seleção e de torneios importantes na América do Sul, a rede de televisão não suporta mais tantos jogos ruins e quedas de audiência a cada temporada. Ao custo de cerca de R$ 1 bilhão por ano, dinheiro destinado aos clubes, federações e CBF, a Globo concluiu que o momento era de cobrar de quem produz o show.

Desde a semana passada, executivos da emissora têm se reunido com os clubes e CBF para apontar problemas de gestão e provocar o debate a respeito dos campeonatos. Há ainda a discussão sobre as cotas de direitos de transmissão que, com a implosão do Clube dos 13, virou uma negociação direta entre a emissora e clubes da Série A.

A preocupação do Globo, evidente, é a queda de audiência e, por consequência, a diminuição de receita publicitária. Os clubes, por sua vez, dependem e muito da emissora. São as cotas de transmissão que sustentam boa parte dos clubes. Sem esse dinheiro, a maioria já estaria falida.

Essa corrida da emissora em direção aos clubes é mais um sinal de alerta de que o futebol brasileiro precisa, urgente, de uma revolução em todos os sentidos. Da gestão de clubes e da CBF até o jeito de se jogar futebol no Brasil. É um efeito dos 7 a 1 para a Alemanha. Aquela derrota escancarou nossas carências e arrogância.

O debate, a meu ver, deveria ser mais amplo. Uma das primeiras providências seria a extinção das federações estaduais, organismos que não têm nenhuma função e são administrados por cartolas que já estão no poder há mais de 20 anos – muitos deles com ficha corrida na polícia.

Outra providência, seria a CBF se retirar da organização dos campeonatos e dar aos clubes o direito de administrar os torneios. Os clubes também teriam de ser penalizados no caso de gastar mais do que suas receitas permitem. Quem não tem orçamento deveria pedir licença e não disputar os campeonatos por pelo menos uma temporada. A Globo também poderia rever os horários dos jogos noturnos. Ideias não faltam.

No campo de jogo, a discussão é mais ampla. Os treinadores deveriam ser obrigados a passar por cursos e intercâmbios a cada temporada. Atualização permanente. E a obrigação de usar pelo menos dez garotos da base no grupo de 30 jogadores do elenco profissional.

O debate está aberto. A revolução no futebol brasileiro não pode esperar.

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