Dunga erra ao convocar Neymar e Kaká
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Dunga erra ao convocar Neymar e Kaká

Treinador da seleção brasileira diz que olha além do seu nariz e nega pressão de patrocinadores na montagem da lista de jogadores

Luiz Prosperi

13 de agosto de 2015 | 19h00

Dunga apresentou nesta quinta-feira mais uma lista de jogadores convocados para dois amistosos da seleção brasileira em setembro. Dessa vez, vamos medir forças com Costa Rica e Estados Unidos em estádios norte-americanos. Adversários que servem de sparring aos jogos que realmente interessam, a partir de outubro, quando começam as Eliminatórias da Copa de 2018.

Seria mais uma convocação não fosse por algumas surpresas. Entre os 23 que foram chamados temos Neymar e Kaká. Em uma outra convocação esses dois ilustres jogadores seriam uma obrigação na lista. O problema é que o craque do Barcelona está com caxumba e só volta a jogar pelo seu time, com muita boa vontade, na última semana deste mês de agosto. Entre seu retorno ao campo e os amistosos da seleção, Neymar não teria nem mesmo uma semana de treinos.

Não custa lembrar que Neymar não poderá participar dos dois primeiros jogos da seleção nas Eliminatórias – em outubro contra Chile e Venezuela – por causa do gancho que pegou com atos de indisciplina na Copa América.

Sendo assim, a quem interessa a convocação do craque? Se ele está impedido de disputar as duas primeiras partidas das Eliminatórias e ainda está “baleado”, seria melhor usar os dois amistosos para montar a seleção sem Neymar. Mas Dunga disse que enxerga além do seu nariz e pensa no futuro e, neste futuro, o craque do Barça é imprescindível. Ah, bom! Agora sim entendemos as razões de Dunga.

 

dunga

No fundo, não seria uma surpresa se a convocação de Neymar fosse apenas para atender interesses do patrocinadores que compraram os dois amistosos da seleção. Como bem revelou nosso repórter Jamil Chade, nos contratos da CBF com os agentes, que vendem os jogos da seleção, constam que o Brasil tem de levar os seus melhores jogadores. Neymar se encaixa perfeitamente nesta exigência contratual.

O volta de Kaká à seleção também não se deve ao projeto do treinador de fazer um time forte, com uma mescla entre experientes e novatos. Dunga deixou de chamar jogadores de centros de pouca competitividade no futebol, como China e mundo árabe, por entender que eles não teriam um bom rendimento na seleção, Mas, no caso de Kaká, abriu uma exceção.

Para quem não se liga muito ao futebol, o ex-craque do São Paulo defende o Orlando City, da fraquíssima MLS (liga americana), tão disputada como uma série de jogos entre casados e solteiros. Kaká, mesmo nos últimos meses que passou no São Paulo ano passado, não teve bom desempenho.

E aí cabe outra interrogação: Kaká só entrou na lista de Dunga porque os dois amistosos serão disputados em campos do Estados Unidos? Kaká é um expoente na terra dos ianques e um atrativo a mais para encher os estádios nos dois amistosos da seleção brasileira. Patrocinadores agradecem.

Dunga tem todo o direito de justificar essas duas e outras convocações, só não tem o direito de iludir o torcedor.