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Dunga não tem condições de repensar a seleção brasileira

Sem ideias e diante de uma crise de identidade do futebol no Brasil, o treinador provou nesta Copa América que não pode ser o condutor. Enfraquecida, a CBF patina.

Luiz Prosperi

27 de junho de 2015 | 21h20

Dunga não tem condições de continuar no comando da seleção brasileira após a vergonhosa campanha na Copa América. Em quatro jogos nesta competição, o Brasil não jogou absolutamente nada. Exibições sofríveis de um time invertebrado, com um punhado de jogadores sem estofo para vestir a camisa amarela. Dunga comprovou que é mesmo o retrocesso do retrocesso quando assumiu a seleção no lugar de Felipão, destroçado pelos 7 a 1 da Alemanha.

Não há a menor desculpa a este novo fracasso. Dunga enganou com uma boa sequência de vitórias em amistosos inócuos. Desde seu recomeço, o treinador fez da seleção uma correria, voltada apenas aos contra-ataques. Em nenhum momento se pensou em formar um meio-campo criativo. Optou pelos burocratas e acabou de afundar o que Felipão havia feito na Copa.

Dunga não está preparado para dar uma nova ideia à seleção. Não sabe garimpar jogadores, muito menos recuperar alguns talentos que se perderam no meio do caminho. Suas entrevistas escancaram o despreparo quando diz que na seleção “o jogador que levantar da cadeira perde o lugar”. Perde o lugar para quem, meu caro Dunga?

Pior de tudo, é que o comando da CBF também está no paredão enfraquecido pelos escândalos de corrupção. Marco Polo Del Nero, o chefe, continua encastelado na sede da entidade no Rio. Del Nero não tem nesse momento força para repensar a seleção.

Agora vamos aos fatos. Nesta Copa América, o Brasil sofreu com o Peru na estreia, no segundo jogo perdeu para a Colômbia, no terceiro venceu a Venezuela com direito a sufoco e o time com quatro zagueiros zagueiros e três volantes. E, nas quartas de final, em nenhum momento do jogo foi superior ao Paraguai.

Com a eliminação do Brasil na Copa América, Neymar fica fora dos dois primeiros jogos nas Eliminatórias da Copa de 2018, que começam em outubro. A CBF promete apelar à Fifa, uma vez que, por incompetência, desistiu de entrar com recurso na Conmebol para tentar diminuir a punição ao craque.

E, para fechar o quadro negativo, a seleção brasileira não participará da Copa das Confederações de 2017 – competição que o Brasil sempre disputou de forma consecutiva desde 1997.

O Brasil perdeu o rumo no futebol. Estamos nocauteados desde os 7 a 1. Acumulamos fracassos com certa arrogância. Não saímos do lugar. O futebol brasileiro, não é de hoje, precisa ser reinventado. E não vai ser com Dunga que vamos avançar. Não se vai longe quando vivemos o retrocesso do retrocesso.

 

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