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Eduardo Galeano, futebol perde um mestre

Escritor imortalizou sua paixão pelo jogo da bola na obra "Futebol ao Sol e à Sombra"

Luiz Prosperi

13 de abril de 2015 | 17h45

Eduardo Galeano tinha o futebol nas veias. Fã e observador do jogo da bola, o escritor uruguaio produziu textos memoráveis sobre esse esporte. Alguns antológicos na obra Futebol ao Sol e à Sombra (L&PM). Tenho na minha cabeceira esse livro como se fosse uma bíblia. Consulto sempre suas páginas em busca de inspiração e lição. É uma ode ao futebol.

Por ocasião da Copa do Mundo ano passado no Brasil, o convidei para ser colunista no caderno de Esportes do Estadão. Depois de dois meses de insistentes pedidos, Galeano respondeu que não poderia escrever a coluna. Estava cansado e alegou que não gostaria de assumir compromissos com jornais estrangeiros.

Em abril, dois meses antes da abertura da Copa, Galeano falou com o nosso Ubiratan Brasil, editor do Caderno 2 do Estadão. Uma entrevista especial em que relata sua visão política e apaixonada do futebol.

Destaco dois trechos, com a permissão do Bira.

Ditadura e Futebol:
“Há ditaduras visíveis e invisíveis. A estrutura de poder do futebol no mundo é monárquica. É a monarquia mais secreta do mundo: ninguém sabe dos segredos da Fifa, fechados a sete chaves. Os dirigentes vivem como em um castelo muito bem guardado. E os protagonistas do futebol, os jogadores, trabalham como macacos de circo, ou seja, não são os receptores dos benefícios dos espetáculos que nos brindam – acredito que sejam fortunas, pois as contas são secretas. E os atletas atuam pelo prazer de jogar, o que é importante. Eu rogo a Deus para que os jogadores não percam esse prazer, pois, nos últimos anos, eles vêm sendo condicionados a apenas ganhar, o que resulta em mais dinheiro. Não aprovo essa identificação da bola como fonte de lucro. Nos últimos anos, o futebol tem perdido aquele brilho de encantamento que deveria marcar cada partida. Infelizmente, boa parte dos jogadores não tem demonstrado aquela satisfação que vemos, por exemplo, em jogos de crianças: elas não têm a finalidade da vitória, querem apenas se divertir. Assim, quando surgem exceções, como Messi e Neymar, são, para mim, verdadeiros milagres.”

Messi e Neymar
“A minha festa de fim de semana é acompanhar jogos desses craques (Messi e Neymar). Sempre que posso acompanho essa dupla. Amo o futebol. Quando criança, nem pensava em ser escritor, mas jogar futebol. Infelizmente, minha perna parece de madeira, eu seria um perna de pau, como se diz aqui no Brasil (risos).”

Eduardo Galeano morreu nesta segunda-feira, aos 74 anos, no Uruguai.

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