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Em defesa da Copa de 2014

Luiz Prosperi

20 de agosto de 2013 | 13h19

Muito se falou dos gastos públicos com a Copa do Mundo de 2014. Manifestantes foram às ruas protestar contra o Mundial. E poucos, diria quase ninguém, se aventuraram em defender o evento no Brasil. Nem mesmo com números e exposições em órgãos de respeito, como o Tribunal de Contas da União, mostrando a situação dos investimentos do governo na Copa, se consegue convencer os incautos ou oportunistas de plantão.

Recorro aqui ao consultor da ONU na Copa 2014 e coordenador de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Pedro Trengrouse, de 34 anos de idade, para argumentar contra os que são contra a Copa no Brasil.

Os investimentos do governo em obras que considera como relevantes, até julho, era de R$ 25 bilhões em mobilidade urbana, aeroportos, segurança, telecomunicações, saúde e turismo, entre outros, sempre de acordo com a Matriz de Responsabilidades da Copa, informa o consultor Trengrouse.

São R$ 25 bilhões investidos em função da Copa contra R$ 557,4 bilhões do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) investidos em infraestrutura pelo País afora até junho.

Na questão dos estádios, os custos alcançaram R$ 7 bilhões – com R$ 3,7 bilhões financiados pelo BNDES, R$ 2,7 bilhões dos governos locais e R$ 612 milhões da iniciativa privada. Bom lembrar que o BNDES está emprestando o dinheiro e quem pegou vai ter de pagar. E são 9 estádios públicos e apenas 3 de clubes (Beira-Rio, Arena da Baixada e Arena Corinthians).

Estudos comentados pelo consultor Trengrouse mostram que os “custos médios por assento no Brasil estão no mesmo patamar de US$ 5 mil que os da Coreia do Sul e Japão (Copa de 2002) e da África do Sul (Copa de 2010)”.

Outro dado interessante que Trengrouse levantou, de acordo com FGV: o futebol movimenta R$ 11 bilhões por ano no Brasil e gera 370 mil empregos. Poderia chegar a R$ 62 bilhões por ano e gerar 2 milhões de empregos “com a modernização dos estádios, gestão e administração dos clubes”. Diz Trengrouse que “com ou sem a Copa, já valeria a pena investir nos estádios brasileiros.”

Ainda segundo dados da FGV divulgados por Trengrouse, a Copa deve injetar R$ 112,79 bilhões na economia do Brasil,entre 2010 e 2014, com a geração de 3,63 milhões de empregos por ano e R$ 63,48 bilhões de renda para a população.

Aos que diziam que a Copa de 2014 seria apenas para os ricos, os mais abastados, a Fifa acaba de colocar à venda ingressos com preços que variam de R$ 60 a R$ 1.980, sem falar dos benefícios da meia-entrada.

E, para concluir, o tal “elefante branco de Brasília”, o estádio Mané Garrincha, tem ocupação média superior aos que foram usados na Copa das Confederações. A arena tem recebido jogos de grandes clubes do Brasil em quase todos os fins de semana e vai abrigar shows de Beyoncé (em setembro), Aerosmith (em outubro) e Metalica (em novembro).

A Copa do Mundo é um bom negócio para o Brasil e vai deixar um legado importante para a administração do futebol no País. Vai ser importante também para aumentar a lupa nos investimentos públicos. Quem gosta de futebol tem a obrigação de ser um vigilante dos gastos do governo e apontar o que está errado. Mas tem o dever também de dar um viva ao Mundial e deixar a bola rolar.

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