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Entenda como Ronaldinho Gaúcho tem sorte no futebol

Dado como acabado no futebol mexicano, craque brasileiro pode ser campeão pelo Querétaro

Luiz Prosperi

25 de maio de 2015 | 19h56

Ronaldinho Gaúcho é um sujeito de sorte. Em conflito com sua própria imagem, sem saber se é um ex-jogador em atividade ou um jogador de verdade, ele pode ser campeão mexicano pelo modesto Querétaro. Aliás, Ronaldinho não fez nenhum grande esforço para levar o time à decisão do Torneio Clausura do México. Seus números são inexpressivos: 26 jogos e 8 gols, desde que desembarcou no futebol mexicano há oito meses.

O Querétaro vai disputar o título pela primeira vez na sua história. Na semifinal, eliminou o Pachuca em dois jogos. No primeiro, perdeu por 2 a 0. Nesta partida, Ronaldinho foi sacado antes do intervalo. Irritado, deixou o estádio com o jogo em andamento. Seu gesto provocou enorme insatisfação entre seus companheiros de time, comissão técnica e dirigentes do clube.

Em situação desconfortável, Ronaldinho recorreu às rede sociais para se desculpar.

“À instituição, ofereço uma desculpa pela reação no dia do jogo, produto da paixão e amor que tenho pelo futebol, quero ganhar sempre. Domingo (24/05) vamos fazer história” dizia o comunicado de Ronaldinho.

De fato, o Querétaro fez história neste domingo ao derrotar o Pachuca por 2 a 0 e se garantir na final do Campeonato Mexicano. Mas, tem um detalhe aí: Ronaldinho ficou comendo mosca no banco de reservas por decisão do técnico Victor Manuel Vucetich.

O treinador disse que pensa no conjunto e não nas individualidades. Por isso deixou Ronaldinho mofando na reserva. Indiferente ao banco, o craque festejou a classificação do Querétaro. E vai comemorar o título mesmo se, por acaso, não for escalado nos dois jogos da final.

Ronaldinho já estava dado como morto no México. Nos momentos mais difíceis nessa sua empreitada, foi acusado de “Robalinho” por custar alto ao clube (R$ 1.650 por minuto jogado), produzir pouco e se dedicar mais à divulgação de suas canções com um grupo de pagode do Rio.

Ou, então, brincar com seus seguidores, como no vídeo que postou no Facebook em que aparece fazendo 44 embaixadinhas antes de um treino com um desafio: “Essa foi difícil, quero ver vocês tentarem! kkkkk. Quem faz mais?”

Mesmo com o peso de “Robalinho” nas costas, o jogador nunca se sentiu só. Não raro usa também as redes sociais para enaltecer grandes personagens. Já felicitou Lebron James por seus feitos na NBA, Mayweather pela vitória sobre Pacquiao no boxe e até Arnold Schwarzenegger.

No caso de Schwarzenegger, quem sabe Ronaldinho Gaúcho não se referia ao “Exterminador do Futuro”. Cabe bem ao seu perfil: um ex-jogador em atividade que pulveriza seu passado de glórias em busca de um futuro de ilusão.

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