Erros de Dunga contra o Chile vão se repetir
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Erros de Dunga contra o Chile vão se repetir

Modelo do treinador da seleção brasileira se resume aos contra-ataques. Quando essa estratégia não funciona, a derrota é anunciada

Luiz Prosperi

09 de outubro de 2015 | 01h59

Dunga disse que a seleção brasileira vacilou nos contra-ataques diante do Chile. Na sua análise, o Brasil poderia ter definido o jogo se tivesse tomado a decisão certa na hora de chutar ao gol. Não penalizou nenhum jogador, lamentou apenas os vacilos, a falta de coragem nos lances capitais.

O treinador da seleção é isso mesmo. Sua visão de jogo é obtusa. É um escravo dos contra-ataques. Não há outra estratégia além desse horizonte. Mesmo pagando caro com derrotas incontestáveis como essa para os chilenos na abertura das Eliminatórias da Copa de 2018.

Seu pensamento é único. Contra-atacar. Se não funcionar, como não funcionou contra o Chile, adeus viola. Por isso, não custa repetir, Dunga é o retrocesso do retrocesso se olharmos no espelho do Felipão. O modelo de Dunga se exauriu na Copa de 2010 na África do Sul como o da dupla Felipão-Parreira em 2014.

Aliás, não custa lembrar, do time que ele escalou para enfrentar os chilenos nesta quinta-feira, quase 85% dos jogadores foram titulares de Felipão na Copa do ano passado. E olha que Dunga teve todo o tempo de sobra para mudar tudo, pulverizar o modelo adotado no Mundial, exterminar as ideias arcaicas e repensar a seleção.

chiile

Cá entre nós, seria pedir muito para Dunga uma revolução de conceitos. Ele já demonstrou que não tem competência para tamanha responsabilidade. Faz o óbvio. Engana com vitórias previsíveis e padece quando o jogo é para valer.

Nem adianta aqui falar que não tem tempo para treinar, arrumar a seleção. Todos os técnicos que dirigem selecionados sofrem com essa injustiça. O problema de Dunga é a sua incapacidade de ver além do poste. Nem é o acaso de uma geração de jogadores, é falta de ousadia.

Soberba é para poucos. Dunga ainda vai ter  de comer muita grama para chegar ao panteão dos grandes. Quem rasgou gramados com cravos da chuteira, como ele fazia no seu tempo de jogador, não vai entender nunca que a relva verde quer ser bem tratada pelos jogadores. E a bola tem deslizar por suas ramagens e não viajar pelo alto como uma bexiga que escapa da mão de uma criança.

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