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Falta vergonha na cara

Luiz Prosperi

28 de novembro de 2010 | 20h43

Não é a fórmula de pontos corridos do Brasileiro que permite farsas nas últimas rodadas quando se encontram times que lutam por algo no campeonato e outros que não têm mais interesse por nada.

O problema não é a regra e sim a falta de profissionalismo de alguns jogadores e treinadores combinados com a falta de vergonha de dirigentes e facções organizadas.

Desde o início da competição de pontos corridos se tem certeza de que nas três ou duas últimas rodadas alguns clubes não vão ter o que fazer. É natural. Só que isso não dá aos times o direito de jogar para enganar.

Quem não se esforça hoje pode pagar caro no próximo ano na hora de suplicar pela ajuda de um rival para alcançar seu objetivo.

Então vamos combinar que o Fluminense já é o campeão brasileiro de 2010. No próximo domingo deve apenas carimbar a faixa diante do rebaixado Guarani no Engenhão. O penúltimo capítulo contou com a vergonhosa atuação do Palmeiras frente ao time de Muricy Ramalho. Fiasco na quarta-feira, quando perdeu para o Goiás na Sul-Americana, e sem sangue nas veias ontem em Barueri. Em 90 minutos de jogo, deu apenas miseráveis quatro chutes ao gol. Uma lástima.

A rodada começou de forma inusitada. Em Barueri, as duas torcidas queriam uma vitória do Fluminense em cima do Palmeiras. Ridículo. Os palmeirenses de facções organizadas hostilizavam os jogadores do seu time e ainda ameaçavam o goleiro Deola com copos d’água na cabeça. Queriam frangos do goleiro.

Esses torcedores ficaram ainda mais revoltados quando Dinei, mesmo sem querer, fez um golaço, logo aos 4 minutos. Gol que, incrível, calou os palmeirenses e explodiu de alegria os corintianos a poucos quilômetros dali no Pacaembu. Inesquecível o domingo em que a torcida do Palestra de tanta tradição torceu contra o seu time e os corintianos vibraram com um gol do Palmeiras. Futebol do avesso.

Quando o Fluminense empatou, as coisas se acalmaram em Barueri e voltaram ao normal após o gol de Tartá. Gol do desempate. Diria, do título do time de Muricy Ramalho.

No final das contas, Fluminense, Corinthians e Cruzeiro, os três candidatos ao título, deram mais um passo. Mas o time de carioca está na frente e só perde por um desastre.

O resto é choro e conversa de que a fórmula de pontos corridos está corroída. Falta é profissionalismo. Quem gosta de futebol tem de honrar a camisa que veste. Não existe desinteresse em vencer. Existe sim é falta de vergonha.

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