As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Felipão e seu grandalhão

Luiz Prosperi

29 de agosto de 2011 | 17h55

Treinadores, assim como os jogadores, registram suas marcas. Descobrem um caminho, de tantos que o futebol proporciona, e por ali constroem suas conquistas, levantam as taças e dão substancioso retorno financeiro aos seus clubes.

Este é o caso de Luiz Felipe Scolari. Quem acompanha a carreira deste treinador, gaúcho até o fígado e italiano de alma, sabe muito bem que a maioria dos seus times tem um centroavante grandalhão. Parrudo, na linguagem da bola.

É a torre de onde partem os golpes mortais contra os adversários. Felipão sempre gostou de um atacante de área, aquele que vive das migalhas no chão e do ouro no jogo aéreo.

Quem não se lembra de Jardel no Grêmio? Até mesmo do atrapalhado Oséas no Palmeiras? Não eram atacantes de fino trato, mas Felipão transformou os dois em agentes do gol.

Desde que voltou ao Palestra Itália, em julho do ano passado, ele procurava por um grandalhão. Aquele camisa 9 por natureza. O destemido da grande área. Alguém para ser cúmplice de Kleber na zona do gol.
De tanto procurar no mercado, Felipão encontrou Fernandão – 1,91 de altura, meio desengonçado e forte como um touro.

E não hesitou em jogar suas fichas no centroavante, mesmo num clássico de alta voltagem contra o Corinthians. Relacionado de última hora, Fernandão entrou pouco depois da metade do primeiro tempo e resolveu a parada. Brigou pela bola no gol de empate de Luan e fez um, com muito estilo, que garantiu a vitória de virada ao Palmeiras.

Felipão, uma hora dessa, deve rir à toa com o seu achado. E Tite deve coçar a cabeça com a queda vertiginosa de rendimento do seu Corinthians. Ele também tem o seu grandalhão. Mas Adriano continua fora de combate.

Muricy Ramalho e Adílson Batista, diferentemente de Felipão e Tite, não precisam de atacantes parrudos. Eles têm à disposição o que de melhor o futebol brasileiro produziu nas últimas fornadas. Aos dois basta aproveitar melhor a safra.

No clássico na Vila Belmiro, Adílson e Muricy puderam desfrutar do bom futebol de Lucas e de Neymar e Ganso. Eles foram decisivos no empate, apesar de um jogo um tanto morno.
Quando você junta um punhado de talentos, sangue novo, se espera uma apoteose. Os dois treinadores não conseguiram transformar a partida em um efeito especial.

Daqui para a frente, eles vão ser mais cobrados. Assim como Tite que, parece, perdeu o fio da meada. Quanto a Felipão, nenhuma novidade. Há um bom tempo ele vive no olho do furacão no Palmeiras. A seu favor a vitória contra o Corinthians. Isso conta, e muito, lá pelos lados do Palestra.

(coluna publicada na edição desta segunda-feira no JT)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.