As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Fifa pune dopados e absolve corruptos

Entidade internacional condena Jobson a quatro anos de suspensão

Luiz Prosperi

24 de abril de 2015 | 18h27

A mão pesada da Fifa nos jogadores que se dopam bateu em Jobson, atacante do Botafogo, nesta sexta-feira. Por se recusar a fazer um exame antidoping em 2014, quando atuava no futebol da Arábia Saudita, o jogador brasileiro pegou um gancho de quatro anos de suspensão. A Fifa disse ainda que a punição é válida em todo mundo.

Pode ser o fim de carreira do jogador. Passar quatro anos afastado do futebol não vai ser fácil. Envolvido com drogas e uma vida mundana, Jobson vivia um momento de paz no clube carioca. Estava em processo de recuperação para voltar a ser um atleta como muitos no mundo da bola. E não há indícios que ele tenha cometido algum deslize nessa nova fase da vida.

Ninguém discute aqui o passado recente das encrencas que Jobson se meteu. Nem mesmo sua atitude de não passar por um exame antidoping na Arábia quando defendia o Al-Ittihad e, depois, faltar  a duas audiências no Gabinete da Presidência Geral da Juventude e Bem-Estar de Jidá.

Ninguém põe a mão no fogo por Jobson. O problema não é este e sim o tamanho da punição imposta pela Fifa. Ao determinar quatro anos de suspensão a um jogador, por mais “criminoso” que ele seja, é quase como colocar um ponto final na sua carreira.

A Fifa costuma ser rigorosa com os dopados e mão leve com os corruptos que habitam a própria entidade.

Na Copa de 94 nos Estados Unidos a mão pesada da Fifa bateu em Diego Maradona. O craque argentino vinha de uma recuperação de problemas com a cocaína e praticamente havia abandonado a carreira. Por insistência do alto escalão da Fifa, sob a presidência de João Havelange, Maradona voltou ao futebol para ser o astro do Mundial dos EUA e ajudar a Fifa obter seus lucros com a Copa.

Flagrado no doping naquela Copa, Maradona foi crucificado para servir de exemplo aos mais jovens. Não que Maradona fosse um santo, mas sua queda tem muito da punicão escandalosa da Fifa.

A mesma Fifa que, infestada de corruptos, não consegue manter a casa limpa. Seus delinquentes não vão para cadeia e seus atos ilícitos são tratados como um problema interno. Dirigentes são apenas afastados de seus cargos como, por exemplo, Ricardo Teixeira e João Havelange.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.