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Futebol brasileiro deve ser passado a limpo

Escândalo da Fifa, com prisão de Marin e outros cartolas graúdos, pode provocar uma revolução no futebol do Brasil

Luiz Prosperi

27 de maio de 2015 | 19h22

A prisão de José Maria Marin é apenas uma ponta da sujeira que assola o futebol brasileiro há décadas. Se as autoridades levantarem o tapete, desde o reinado de João Havelange (dos anos de 1960 a 1990), com participação efetiva de Ricardo Teixeira (de 1989 a 2012), e, por tabela, de Marin e Marco Polo Del Nero, a partir de 2013 até os dias de hoje, é bem provável que vão encontrar uma ninhada de ratos gordos.

O ganho extra faturado em contratos de marketing, direitos de televisão e jogos não é de hoje, como atestam as investigações do FBI dos Estados Unidos escancaradas nesta quarta-feira em Zurique.

Entidade privada que é, a CBF nunca passou por uma devassa ao longo da sua história. Esteve no centro do furacão em uma CPI em 2000, na época batizada de CPI da Nike, que acabou dando em nada. Agora a coisa parece mais séria. E o FBI já prometeu que não vai parar por aí. Segundo declarações de seus agentes nos Estados Unidos, a tarefa deles é passar o futebol a limpo.

Dentro desse jogo, o escândalo cai como uma bomba atômica no colo do novo comando da CBF.  Marco Polo Del Nero, atual presidente, esteve com Marin desde o início de sua subida ao poder de fato. Viaja pelo mundo de braços dados com Marin em compromissos da Fifa, seleção brasileira e a Copa de 2014 há pelo menos quatro anos.

A CBF se defende dizendo que os contratos investigados até aqui são do passado e administração de Del Nero não tem participação nesse mar de lama. Bom lembrar que a nova sede da CBF, inaugurada no início do ano, se chama José Maria Marin – está lá o nome na fachada do suntuoso edifício da entidade na Barra da Tijuca, no Rio.

Mesmo negando envolvimento e sem nenhuma acusação direta a Marco Polo Del Nero,  os fatos mostram que a casa caiu.

Vem aí uma guerra intestina no Congresso Nacional com a Medida Provisória da Dívida dos Clubes encaminhada pelo governo federal. A CBF é contra a MP no que tange à criação de uma liga de clubes para administrar o futebol brasileiro. Não admite perder suas regalias e, evidente, a primazia de vender o produto futebol aos patrocinadores e emissoras de televisão. É chumbo grosso.

A situação é crítica e muito grave. O negócio futebol cresceu de forma assustadora nas últimas três décadas. Montanhas de dinheiro e transações suspeitas dominam o jogo da bola. Quando se tem dinheiro fácil, os ratos se assanham para construir seus ninhos.

O futebol no Brasil tem uma chance rara de ser passado a limpo.

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