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Futebol brasileiro sem RG

Luiz Prosperi

16 de abril de 2013 | 12h00

O estilo guerreiro do Palmeiras de uma hora para outra virou referência no futebol brasileiro. Muitos torcedores de times rivais se renderam ao suor feito de sangue do Palestra. “Ah,se o meu time tivesse a garra do Palmeiras”, proclamam os são-paulinos encrencados na Libertadores. Elogios despontam de todos os lados.

Nada contra o Palmeiras, mas se raça virou o principal parâmetro para se conseguir as vitórias, algo de muito estranho assombra o futebol brasileiro. Raça nunca foi um paradigma de um time vencedor. Serve apenas para momentos especiais como esse que o Palestra está vivendo. E para por aí.

Essa polêmica sobre como os times devem se comportar só reforçam a tese de que o futebol brasileiro perdeu mesmo a sua identidade, o seu RG. Não há mais um estilo de se jogar futebol no Brasil como havia décadas atrás. Não é por falta de alertas.

O ex-jogador alemão Paul Britner, craque dos anos 70, disse em recente entrevista que o Brasil parou no tempo. “Dormiu nos louros da conquista do penta em 2002”. Hoje, diz o alemão, ninguém respeita mais a seleção amarelinha.

Vanderlei Luxemburgo também colocou o dedo na ferida ao desafiar os especialistas a apontarem qual é hoje o estilo de se jogar futebol no Brasil. Luxemburgo diz que os treinadores no País, que poderiam dar uma cara para nosso futebol, não têm a menor segurança para trabalhar e por isso preferem antes garantir o emprego a repensar o jeito de se jogar futebol.

Também não podemos esperar uma revolução com Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira no comando da seleção. Eles não foram colocados lá para mudar o perfil do futebol brasileiro e sim para ganhar a Copa do Mundo do 2014, a todo custo.

Sem identidade e RG, o futebol brasileiro vai levar muitos anos para ser o melhor do mundo mais uma vez.

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