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Ganso, a injustiça de Dunga na seleção

Por que não temos paciência com grandes jogadores que por um motivo ou outro caem de rendimento, mas não deixam de ser craques?

Luiz Prosperi

19 de agosto de 2014 | 12h59

Dunga sinalizou que não vai mudar o jeito de a seleção brasileira jogar. A lista dos convocados nesta terça-feira indica que teremos um futebol de correria, sem troca de passes e muito contra-ataque, mais ou menos o mesmo modelo adotado na sua primeira passagem pelo escrete entre 2006 e 2010.

Quem tem dúvida, basta olhar os relacionados para o meio-campo. Vamos lá: Luiz Gustavo, Elias, Fernandinho, Willian, Ramires, Éverton Ribeiro e Philippe Coutinho, sem falar em Hulk, todos com característica de saída rápida do meio para frente. A cadência e o toque de bola ficaram no passado.

A fórmula que a lista de Dunga sugere não deu certo em 2010 e muito menos em 2014. As lições da Copa não foram contempladas.

Cabe ainda uma ressalva: por que não temos paciência com grandes jogadores que por um motivo ou outro caem de rendimento? Aí entra a ausência de Paulo Henrique Ganso. Não tem um Cristo na CBF, seleção, com vocação para recuperar talentos? Ganso há muito tempo vem jogando bem, mas, parece, não consegue empolgar aos comandantes da seleção.

Com Ganso na lista no lugar de Ramires, por exemplo, teríamos algo novo. Ganso e Éverton Ribeiro poderiam formar uma bela dupla de meias e poderiam se encaixar com Oscar.

Outra observação: David Luiz deu mostra suficiente na Copa de que é um zagueiro comum, mas pode ser um volante diferente. José Mourinho, apontado como um gênio da prancheta, usou David de volante no Chelsea e, ao meu ver, rendeu muito mais que na função de zagueiro. Por que não aproveitá-lo de volante na seleção? Na Copa de 70, Zagallo fez o inverso ao improvisar o volante Piazza de zagueiro e se deu bem.

Diante dessas análises e sem fugir muito da lista de Dunga, gostaria de ver um meio-campo da seleção com David Luiz, Éverton Ribeiro, Ganso e Oscar e no ataque Neymar e Ricardo Goulart. O time ganharia em troca de passes, sem deixar de ser agudo na hora de agredir o adversário.

É apenas uma observação de quem ainda está traumatizado com aquele 8 de julho no Mineirão e desiludido com o retrocesso implantado na CBF após a Copa do Mundo.

Quer saber? Gol da Alemanha.

 

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