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Ganso precisa voar alto

Luiz Prosperi

19 de agosto de 2012 | 21h52

A dupla Neymar e Ganso está muito próxima de ser desfeita. Na Seleção, já foi pulverizada. E no Santos, parece que os dias estão contados. Enquanto Neymar vive status de Rei da Vila, Ganso procura as portas do fundo. Os dois foram bem no clássico diante do Corinthians, neste domingo, e saíram aplaudidos.

O provável fim da dupla no Santos não tem um culpado direto. Neymar e Ganso surgiram em 2010 como uma dádiva dos céus ao clube e, por tabela, seriam a nova cara do futebol brasileiro.

Dois anos depois, um se consagrou e o outro virou um grande ponto de interrogação.Neymar preferiu ser um semideus no Brasil ao desafio do futebol europeu. Ganso sonhava com o estrelato fora do País e agora espera, diria implora, por uma proposta doméstica. O Inter se interessou, mas não teve caixa para bancar a brincadeira.

Agora surge o São Paulo com os cofres arrebentando de dinheiro com a venda de Lucas. No Morumbi, a contratação é tratada como um grande tacada. Ganso seria o primeiro dos grandes reforços prometidos pelo presidente Juvenal Juvêncio aos seus pares.

O projeto do presidente é montar um supertime para 2013, desde que garanta vaga na Libertadores, e o ponto de partida é mesmo um camisa 10 de fina estampa.

Aliás, o São Paulo tem tradição de recorrer ao Santos para vestir seu 10. No fim dos anos de 1970, o Tricolor foi buscar Ailton Lira na Vila. O craque desfilou seu futebol no Morumbi por seis meses, mas deixou a sua marca.

Ailton Lira saiu de cena e o São Paulo voltou ao Santos para contratar um novo camisa 10. Fechou com Pita, em 1984. E se deu bem. O meia foi campeão paulista (1985 e 87) e Brasileiro (86).

Agora, a história parece que vai se repetir. Ganso seria uma resposta de Juvenal aos seus críticos e uma guinada na sua administração, até aqui sofrendo com a fadiga do material.

Transferindo-se ou não para o São Paulo, Ganso tem mesmo de se reinventar. Não pode perder tempo e cair na vala comum, como muitos dos promissores jogadores que apareceram no País.

Bom lembrar que o futebol brasileiro é pródigo em desperdiçar talentos. Basta recordar o que aconteceu depois da conquista de 2002.

Pentacampeão, o Brasil tinha a grande chance de ser hexa em 2006 com Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Adriano e Robinho, que encantaram o mundo em 2005 na Copa das Confederações. O quarteto e Ronaldo não vingaram em 2006 e perderam espaço em 2010.

Após o fiasco na África do Sul, a esperança voltou com Neymar, Ganso, Pato e com Kaká, Robinho e Ronaldinho em atividade. Dessa turma, parece que só Neymar e Pato vão emplacar em 2014. Ganso precisa voar alto.

(coluna publicada no JT – 20/8)

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