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Henrique, o grosso artilheiro do Palmeiras

Goleador improvável, o atacante tem feito a diferença a favor de seu time neste momento de agonia na corrida contra o rebaixamento

Luiz Prosperi

10 de outubro de 2014 | 18h53

Henrique é artilheiro e grosso. Não tem intimidade com a bola. Usa mais as canelas do que os pés. Pensa pouco na hora de executar a jogada. Despende um enorme sacrifício a cada lance. Entra em campo com a camisa leve, sequinha, e sai depois com o uniforme pesando uma tonelada tamanho o suor absorvido pelo manto verde e branco.

Um centroavante assim não teria vez no Palmeiras de outrora. Seria o coadjuvante dos coadjuvantes. Os mais exigentes diriam que não lustraria as chuteiras de Evair. Que diabos então Henrique faz neste time agônico na corrida contra o rebaixamento? Simples, gols. Já tem 13. Ao lado de Marcelo Moreno, do badalado Cruzeiro, é o artilheiro do Brasileirão.

A matéria-prima de Henrique é o gol, esse objeto do desejo de todos os que vestem a camisa 9 – se bem que a dele é a 19. Seria 10+9 para combinar o talento dos craques que usam a camisa 10 e mais a 9 dos destemidos centroavantes?  Só ele, Henrique, tem a resposta.

O certo é que o grandalhão e desajeitado tem feito a diferença no Palmeiras neste momento de aflição de sua torcida. Incrível como ele é capaz de disputar com Marcelo Moreno a primazia de goleador do campeonato. Seu time vive anos-luz do líder Cruzeiro. Seria improvável o Palmeiras ter o artilheiro da competição na situação em que se encontra na tabela.

Henrique quebra todos esses paradigmas. É daqueles atacantes que vivem de migalhas dentro da grande área. Faminto. A bola parece um saboroso PF (prato feito). Vai em todas as bolas como se uma delas fosse a última da sua vida. E quando manda uma para a rede, sai em gesto da faca no pescoço. Degola.

O Palmeiras depende, e muito, de quantas cabeças Henrique vai cortar até o fim deste campeonato.

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