As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Legado de Belluzzo

Luiz Prosperi

14 de janeiro de 2011 | 01h36

Luiz Gonzaga Belluzzo vai deixar o Palmeiras na próxima semana sobre pedras. Há uma enorme antipatia ao presidente e uma falta de boa vontade para analisar a sua gestão. Ele está condenado ao paredão. A oposição carcomida, com ex-presidentes de gestões desastrosas, espalha o terror. Pintam Belluzzo com as cores do inferno. Divulgam na mídia números da dívida do Palmeiras como se o clube fosse o único no Brasil a viver no vermelho.

Belluzzo, evidente, não provocou uma revolução no Palestra. Cometeu erros infantis, deixou o sangue italiano falar mais alto em ocasiões que mereciam a serenidade de um catedrático. Mas não pode ser acusado como a grande tragédia do Palmeiras.

Antes de Belluzzo assumir, o clube já vivia por quase uma década na escuridão. O Palmeiras foi rebaixado no início dos anos 2000 e em meados da mesma década escapou da degola por pouco. Enfileirou uma série de times medíocres e treinadores sem lastro, fraquinhos. Não economizou. Gastou muito com jogadores de times pequenos, não andou na linha do exemplo de administração e ainda deixou uma enorme frustração na torcida que, pouco a pouco, se acostumou a viver com modéstia, catando migalhas no chão.

Belluzzo, na verdade, transformou o clube. Engordou, e muito, as receitas com marketing. Deu início ao colosso da nova arena, que vai ser a salvação do clube. Montou grandes times com jogadores de alto quilate, e ainda trouxe a Traffic, a maior novidade do futebol brasileiro nos últimos anos. Vestiu Luxemburgo, Muricy e Felipão com as cores do Palestra… e esteve na bica para ser campeão brasileiro. Não conseguiu por detalhes que em muitas vezes corroem um time vencedor.

Cobram de Belluzzo uma dívida de R$ 130 milhões que ele pode deixar para a próxima administração. Nada muito diferente das dívidas que os presidentes do Corinthians, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Atlético-MG, Vasco, Botafogo e, por que não?, São Paulo, Santos e tantos outros vão deixar aos seus sucessores.

A dívida do Palmeiras não é menor nem maior que a dos outros grandes clubes brasileiros.

Querem crucificar Belluzzo pelo prazer de beber o sangue que escorre dos derrotados. Ele paga por sua ousadia. Sua saída de cena é um bálsamo para as múmias que escaparam das catacumbas do velho Palestra Itália para soprar o pó do passado como se fosse o santo graal. Triste Palmeiras.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.