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Manifestantes apelam contra Pelé e Ronaldo Fenômeno

Luiz Prosperi

15 de maio de 2014 | 21h15

Manifestantes no Rio e São Paulo atacaram a imagem de Pelé e Ronaldo, dois ícones do futebol do Brasil e do mundo, nesta quinta-feira de protestos, de baixíssima adesão, no País contra a Copa.

“Traidor do século”, estampava um placa de papelão com uma foto de Pelé. “Inimigo do povo”, dizia outra com a foto de Ronaldo. Elas foram empunhadas nos protestos nas ruas.

Olhando essa algazarra toda é difícil de acreditar que o brasileiro ama o futebol, tem verdadeira paixão por esse esporte, e respeita ídolos de muitas gerações. Difícil entender também a chiadeira contra a Copa a menos de um mês de a bola rolar.

Tivesse acontecido tudo isso em 2007, quando o Brasil ganhou o direito de sediar o Mundial, seria até compreensível. Mas agora parece assunto de oportunistas em busca de holofotes sob o manto das injustiças centenárias que assolam o País.

Quando se olha para um lado e se depara com a solicitação de ingressos para a Copa que, segundo a Fifa, beira a casa de 10 milhões de pedidos e com 2,3 milhões já vendidos, fica difícil entender toda essa campanha contra a Copa. De acordo com as estatísticas os protestos País afora não reuniram mais de 25 mil manifestantes.

Direito de se manifestar é universal, dizem os sábios. As ruas estão aí para canalizar a massa humana a defender suas causas. Nada contra. O que intriga é o oportunismo.

Nenhuma Copa reinventou um país e nenhum país se esfarelou por causa de uma Copa.

O futebol é a mais legítima identidade da cultura popular do Brasil, assim como o samba e o carnaval. Sambódromos foram erguidos na maioria das grandes cidades e nas de porte médio, muitos deles com dinheiro público. E nunca se viu um protesto contra esses patrimônios do povo.

Enquanto minorias vão às ruas com o bordão “não vai ter Copa”, o mundo do futebol não esconde a ansiedade para desembarcar no Brasil. “Não deve haver coisa melhor do que disputar uma Copa no Brasil. A expectativa para o Mundial no Brasil supera tudo”, palavras de Joachim Löw, nada mais nada menos do que o técnico da seleção da Alemanha.

E aí cabem duas perguntas: Pelé é mesmo o traidor do século? Ronaldo é mesmo o inimigo do povo?

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