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Marketing do São Paulo e melancolia do Corinthians

Luiz Prosperi

30 de novembro de 2014 | 21h26

São Paulo e Corinthians não ganharam absolutamente nada nesta temporada. Encerram o ano apenas com o consolo de disputar a Libertadores de 2015. A diferença entre os dois clubes é que o São Paulo fez das derrotas um marketing e o Corinthians uma melancolia.

Veja o caso do time do Morumbi. Começou a temporada eliminado pela Penapolense na fase mata-mata do Campeonato Paulista. Caiu nas oitavas de final da Copa do Brasil ao ser derrotado pelo Bragantino em casa. Resumo da ópera: caiu diante de dois times sem expressão do futebol paulista. No Brasileirão comemorou o vice-campeonato a sete pontos do campeão Cruzeiro. E foi despachado na semifinal da Copa Sul–Americana pelo tinhoso, só isso, Atlético de Medellín em pleno Morumbi.

No campo das finanças, gastou os tubos com Alexandre Pato (R$ 400 mil/mês), jogador que não lhe pertence. Pagou alto para tirar Alan Kardec do Palmeiras. Investiu muito em Michel Bastos. Repatriou Kaká a peso de ouro. E não vendeu ninguém da base por um saco de dólares, como contrapeso para os gastos exorbitantes. Aumentou sua dívida por quase nada.

E no final de tudo fez um marketing absurdo ao renovar o contrato de Rogério Ceni por sete meses – uma aposta de risco levando em conta a idade do goleiro – e se despedir de Kaká com festa no Morumbi no empate com Figueirense.

Na coletiva de imprensa de despedida de Kaká reuniu o ídolo que vai embora, o velho ídolo que não vai largar o osso, e Muricy, que completa quase dois anos na sua volta ao clube sem um título. A coletiva teve ares de celebração da conquista de uma taça de peso. Marketing do vazio.

O Corinthians não fez marketing, mas viveu das lamentações. Na penúltima rodada, levou uma sova (5 a 2) do Fluminense. Mano Menezes discutiu enfezado com torcedores no Maracanã e deixou o jogo expulso.

Até chegar a esse triste confronto com o Flu, o Corinthians saiu do Paulistão ainda na fase de grupos – uma das piores colocações do time na história do Estadual. Na Copa do Brasil foi humilhado pelo Atlético-MG nas quartas de final. E, no Brasileirão, em nenhum momento brigou de fato pelo título.

Fora de campo, cedeu Pato ao São Paulo e ainda bancando R$ 400 mil/mês para o atacante jogar no rival. Emprestou Emerson Sheik ao Botafogo ao custo de R$ 300 mil/mês e fez o mesmo com Douglas, cedido ao Vasco. Aumentou sua folha de pagamento. E “dispensou” Mano Menezes antes mesmo de a temporada acabar. Um erro atrás do outro.

São Paulo e Corinthians, dois gigantes que beijaram a lona e fecham a temporada felizes por não ter sofrido um nocaute inesquecível.

 

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