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Messi, última esperança da América do Sul

Com tudo para ser um grande torneio, Copa América repete as desgraças do futebol no continente e fica aos pés do craque argentino

Luiz Prosperi

26 de junho de 2015 | 01h05

Messi tem mais uma oportunidade de se impor em um continente. Colocou a Europa aos seus pés e pode deixar a América de joelhos se levar a Argentina ao título da Copa América. Como se trata de um cínico, é bem provável que ele queira bater a sua bola sossegado sem cobranças dos lunáticos e a intolerância dos críticos.

Messi tem a Colômbia pela frente nesta sexta-feira. Colômbia do freguês James Rodrigues, o incipiente craque do Real Madrid. Se bater os colombianos a Argentina vai se deparar com o vencedor de Brasil e Paraguai. Tirando a tradição da camisa amarelinha, esse Brasil de Dunga não deve fazer cócegas no craque argentino.

Messi, parece, não está nem aí. Seu negócio é jogar futebol. Desfrutar das quatro linhas como um bebê dentro de seu berço. Ao baixinho, de olhar longe e execução precisa, as barbaridades cometidas nessa Copa América soam como primitivas.

Se não, vejamos. O piti de Neymar no jogo contra a Colômbia se achando um ser acima do bem e do mal. As caras e bocas, os dribles sem sequência, quase inconsequentes, o nojo aos adversários, a soberba como se fosse o último sábio do futebol. O enorme erro. Neymar virou comum nessa Copa América.

Avançamos um pouco e chegamos à canalhice do chileno Jara e seu dedo a macular o futebol sul-americano. Dirão os anarquistas que no futebol tudo cabe, inclusive os dedos. Um deboche sem piedade, um artifício dos anos amadores da bola quando a grama se misturava com a terra vermelha e a imagem única vinha de uma Rollifex, se tanto.

Aí vamos aos senhores do apito. Um despropósito. Perdidos no espaço a permitir barbaridades. A maioria deles cabe com folga em uma lata de lixo.

E o que dizer dos dirigentes, todos eles encastelados em suas confederações com medo das algemas do FBI. Nenhum deles deu as caras em Santiago, inclusive Marco Polo Del Nero que se investe de impoluto e se esconde entre os mármores da sede da CBF.

Não fosse só por isso, ou por tudo isso, a hora é de ver Messi jogar. Mesmo que seu desinteresse pela Copa América seja absoluto, Messi em campo sempre é uma ode ao futebol. Ou ele nos redime de tanta vergonha ou estamos mesmo condenados à mediocridade.

 

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