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Neymar caiu, e Mano?

Luiz Prosperi

10 de setembro de 2012 | 16h37

A situação da Seleção Brasileira é crítica. Se antes havia alguma tolerância da torcida com alguns jogadores e nenhum entusiasmo com Mano Menezes, agora ninguém mais está isento. Neymar, o último pilar de sustentação dessa mal alicerçada Seleção, caiu sexta-feira no Morumbi.

Antes unanimidade, o craque agora é vaiado pelos torcedores de butique. Nem mesmo aqueles que defendiam com unhas e dentes a permanência de Neymar no Brasil apoiam o craque.

Quando o principal jogador do País está na berlinda, algo de muito sério está acontecendo na Seleção. O comando está fraco. Mano Menezes se diz preocupado com o momento de Neymar, vítima do desgaste e das críticas, mas não age com pulso firme. Na sonolenta entrevista que concedeu, após a vitória diante da África do Sul sob vaias da torcida e Neymar acusado de pipoqueiro, não convenceu. A defesa que fez do craque foi de uma pobreza ímpar.

Em vez de apontar Neymar como a única luz da Seleção, Mano desligou o interruptor. Diz ele que em fevereiro levantou os problemas que o craque poderia enfrentar com o desgaste, a vida de celebridade e o revezamento entre Santos e Seleção. Apontou o problema e nada fez. Escorado no talento do menino, não o deixou fora de nenhum jogo do time nacional.

Sem o brilho de Neymar, Mano se afunda ainda mais. O técnico age como se já soubesse do seu futuro na Seleção: a demissão. Nos bastidores da CBF e de cartolas influentes do futebol brasileiro, Mano é carta fora do baralho. Vai se arrastar até o fim do ano, com ou sem vaia no amistoso desta segunda-feira diante da China no Arruda, no Recife.

Mano está perdido. Tão perdido que coube ao lateral Daniel Alves, um dos mais experientes jogadores da Seleção, sair em defesa de Neymar. Treinadores de pulso costumam valorizar os craques acima de todas as coisas.

Na Copa de 94, depois que se rendeu a Romário, Parreira jogou suas fichas no Baixinho. Felipão apostou tudo em Ronaldo quando muitos davam o Fenômeno como um ex-jogador em 2002. Romário e Ronaldo responderam dentro de campo.

Mano fala da importância de Neymar, mas não coloca o craque como a referência da Seleção. Diz que o menino precisa amadurecer e que seria bom jogar na Europa. Enquanto isso, a Seleção não desencanta.

Em recente entrevista ao Estado e JT, Vanderlei Luxemburgo defendeu a permanência de Neymar no País e adiantou que o jogador tem de ser transformado em o grande ídolo do futebol brasileiro para ser o principal jogador da Seleção na Copa de 2014.

Se Neymar é pipoqueiro para a torcida, o que ela não estaria pensando de Mano Menezes.

* coluna publicada no JT (10/09)

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