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Corinthians x Neymar

Luiz Prosperi

17 de junho de 2012 | 21h50

A semana é do Corinthians. Há uma certa aflição na torcida, apesar da empolgação. Nem poderia ser diferente. Na quarta-feira o time define a temporada. Toca o céu se passar pelo Santos ou avista o inferno se não garantir vaga na final da Libertadores, fato inédito na história do clube.

Em vantagem com a vitória por 1 a 0 no jogo de ida, o Corinthians tem a seu favor o Pacaembu abarrotado e a fé infinita da Fiel. Não é só isso. A principal virtude é mesmo a fórmula que Tite encontrou para transformar um punhado de jogadores esforçados em um time de muita regularidade e determinação, sem permitir que o adversário respire.

Para não deixar escapar a grande chance de chegar à final, o Corinthians tem de repetir o que tem feito desde o ano passado. Se inventar algo de diferente pode pagar caro. A hora é de fazer valer a tradição do clube.

Se nada disso funcionar, a casa vai passar por reforma. Leandro Castán já tem contrato pronto para assinar com a Roma, que também disputa Paulinho com a Inter de Milão. Willian é outro que está de saída, assim como Liedson. Perder peças importantes na metade da temporada e mais o trauma de não passar à final da tão sonhada Libertadores podem ter efeito de um terremoto no Parque São Jorge.

A semana também é de Neymar. Resolveram colocar o craque no paredão, acusado pelas más atuações nos últimos jogos do Santos e da Seleção.

Há uma grande apreensão na Vila e um desentendimento entre a comissão técnica e o estafe de Neymar. Muricy Ramalho pede menos compromissos publicitários e mais tempo dedicado aos treinos e à recuperação.
O pai de Neymar diz que a agenda do craque não muda e, ao mesmo tempo, altera: “Meu filho não é uma máquina, está esgotado física e mentalmente.”

Aí vem o presidente do Santos, Luís Álvaro, e diz que o cansaço do garoto é fruto de um complô corintiano armado por Andres Sanches, combinado com Mano Menezes, na Seleção Brasileira. Coisa de torcedor de botequim, daqueles que para justificar um mau resultado veem conspiração em todos os lados.

Tudo isso vai sobrar para Neymar. Se ele não resolver o jogo a favor do seu time na quarta-feira, a pressão vai ser absurda. Os críticos de plantão estão prontos para crucificar o garoto.

No caso de o Santos não passar à final da Libertadores, o famoso “projeto Neymar” tem de sofrer correções. Desde que o menino e o seu pai resolveram ficar no Brasil, com anuência do clube, cresceram os compromissos publicitários do craque. A exposição beira o insuportável.

Neymar não tem culpa de nada. Foi o presidente do Santos quem disse que transformaria o craque em um mito.

* coluna publicada no Jornal da Tarde (18/6/2012)

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