Neymar se enrola nos negócios particulares
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Neymar se enrola nos negócios particulares

Craque do Barcelona começa a sentir no campo o peso dos problemas financeiros com a Justiça. Deveria ouvir conselhos de Ronaldo Fenômeno

Luiz Prosperi

29 de setembro de 2015 | 18h59

Neymar paga preço alto pela gestão familiar de sua carreira. Ao confiar tudo o que ganha ao seu pai e assessores, o craque se estrepa a cada dia. Há uma semana, viu a Justiça bloquear R$ 188 milhões de seu patrimônio a pedido da Receita Federal. Um carro Porsche Panamera, que ganhou de presente de seu pai, mas comprado com seu dinheiro por R$ 341 mil, em 2011, também está retido pela Receita.

A transferência ao Barcelona, em junho de 2013 e amarrada em novembro de 2011, com dinheiro jorrando de todos os lados, ainda está em discussão na Justiça da Espanha. Cartolas do clube catalão já foram condenados. E mais punições e pagamentos ao Fisco espanhol estão por vir.

Não fosse por essas implicações, Neymar ainda foi obrigado a ouvir de um de seus agentes, o empresário Wagner Ribeiro, que “deveria parar com essa manina de pagar impostos no Brasil e levar sua grana para um paraíso fiscal.”

Diante desses acontecimentos, de certa forma muito graves, Neymar ainda aguarda um apelo da CBF à Corte Internacional para saber se vai ou não defender a seleção brasileira na primeira rodada das Eliminatórias da Copa 2018 contra Chile e Venezuela. Bom lembrar que o craque está suspenso por ter aprontado na Copa América, em julho.

Fora da seleção, Neymar tem pela frente um desafio árduo de comandar o Barcelona, que não terá Messi nos próximos dois meses abatido por uma lesão no joelho.

De cabeça raspada, não se sabe ainda se por vontade própria ou a mando de patrocinadores, o craque não teve uma grande atuação na virada por 2 a 1 diante do Bayer Leverkusen, nesta terça-feira, na segunda rodada da Champions League.

Barcelona's Neymar sticks out his tongue during their Champions League group E soccer match against Bayer Leverkusen at Camp Nou stadium in Barcelona, Spain, September 29, 2015. REUTERS/Sergio Perez

Neymar está sob pressão. No clube, seleção e nos seus negócios. Confia cegamente em seu pai e toca a vida como um garoto que conquistou o mundo muito cedo.

Amigo que é de Ronaldo Fenômeno, Neymar deveria se aconselhar com o ex-jogador. Quando tinha 14 anos, Ronaldo ganhou seu primeiro dinheirinho como jogador do São Cristóvão do Rio. Pegou a grana e foi com seu irmão mais velho comprar um sofá para a casa de seus pais em Bento Ribeiro, subúrbio carioca.

Chegando na loja, viu que o dinheiro dava para comprar no máximo um forro para o sofá velho que servia de cama para ele e seu irmão.Ronaldo comprou o forro, a sua mãe encapou o sofá e dois irmãos puderam dormir “com mais conforto” na casa de três cômodos.

Quando passou a ganhar fábulas de dinheiro, Ronaldo assumiu administração do seu próprio patrimônio. Contratou um escritório de advogados dos mais famosos da Espanha para ajudar a cuidar de seu dinheiro. E foi jogar futebol com a cabeça leve, sabendo que seus US$ 400 milhões amealhados com o seu esforço estavam bem administrados. Foi eleito três vezes melhor do mundo.

Neymar tem lições a aprender.

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