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Nobre e a carruagem verde rumo à Série B

Luiz Prosperi

27 de abril de 2014 | 15h16

Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, disse que não seria refém do centenário do clube. Disse ainda que não faria loucuras para montar um time forte nem a conquista de um título seria uma obsessão no seu mandato. Para Nobre, o importante era sanear o clube e iniciar a profissionalização administrativa no velho Palestra. Adiantou também que nenhum jogador teria cadeira cativa.

O projeto de Nobre seria perfeito se a torcida estivesse convencida de que os dois anos de governo do novo presidente seriam mesmo para arrumar a casa e colher frutos mais tarde. Faltou ao presidente “convencer os russos”.

Diante das últimas informações, o tal saneamento das contas do Palmeiras anda a conta-gotas. Na tentativa de não endividar ainda mais o clube, Nobre já avalizou em seu nome cerca de R$ 85 milhões em empréstimos direcionados ao Palmeiras.

Do outro lado, cumpriu à risca a promessa de que não seria refém de jogadores. Perdeu Barcos, sem muito esforço. Deixou Henrique ir embora, entendendo que a zaga estava bem servida. E agora deve perder Alan Kardec, um atacante que ele, Nobre, fez questão de reinventar quando o resgatou do time B do Benfica para ser o novo Evair. Pior, Kardec vai reforçar um rival direto.

Aliás, Nobre deve sair humilhado dessa transferência. Teria levado um belo chapéu do presidente Carlos Miguel Aidar que, diferente de Nobre no Palmeiras, quer devolver ao São Paulo seus dias de soberania no futebol brasileiro.

Nobre não se diz refém de jogadores, mas se deixa levar pelos conhecimentos que Kleina tem do futebol. E até por isso engole do treinador sugestões de contratações e renovação de contratos de jogadores fraquíssimos como Wendel, Thiago Alves, Juninho, Josimar, Serginho, Mazinho, Marcelo Oliveira, o goleiro Bruno, o menino Miguel, entre outros. Jogadores com perfil de times pequenos do interior paulista de onde a maioria deles saiu.

Kleina, em dois jogos de Série A, foi engolido por Caio Júnior mesmo com a vitória injusta do Palmeiras e, neste sábado, levou um banho de Cristóvão Borges, do Fluminense. Jogando em casa, armou o Palmeiras na retranca e deixou tudo para Valdivia, o messias, resolver.

Se não reforçar o time e insistir com Kleina, Paulo Nobre pode conduzir a carruagem verde para a Série B sem muitos solavancos.

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