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O Corinthians e seu labirinto

A única saída é o time garantir vaga na Libertadores, que daria um oxigênio às finanças do clube na próxima temporada. Essa questão quem tem de resolver é Mano Menezes

Luiz Prosperi

30 de outubro de 2014 | 12h42

A crise no Corinthians não se resume à saída de Mano Menezes em dezembro. Antes de escolher o novo treinador para 2015, o clube tem um abacaxi enorme para descascar com o pagamento das primeiras parcelas da dívida do Itaquerão e ainda a alta folha de salários do futebol. Não por acaso, o presidente Mario Gobbi corre atrás de empréstimos para quitar o papagaio.

Sem dinheiro, a conta não fecha e o planejamento para 2015, que já deveria estar em curso, fica comprometido. Apenas no Itaquerão, o clube tem de se virar para bancar os R$ 100 milhões no próximo ano. A dívida seria fichinha se o Corinthians já tivesse vendido os naming rights (direito de nome) da arena – estimado em R$ 400 milhões.

Andrés Sanchez, ex-presidente do clube, estava com essa missão de vender os naming rights até se candidatar a deputado federal pelo PT. Deixou de lado o Itaquerão para se dedicar à campanha. Eleito com 169.834 votos, o mais votado do partido em São Paulo, Andrés é cotado para assumir o Ministério do Esporte no segundo mandato de Dilma Rousseff. Se o novo deputado se dedicar mais à política, antes de assumir sua cadeira no Congresso em janeiro de 2015, o Corinthians vai ter de encontrar outro negociador para vender os naming rights do Itaquerão.

Por enquanto, o Itaquerão não tem sido fonte de receita ao Corinthians. Por isso Gobbi está de pires nas mãos atrás de dinheiro para bancar o futebol. Enquanto passa a sacolinha e corre atrás de um empréstimo, o presidente tenta corrigir o erro que cometeu ao contratar Mano Menezes por um salário estimado em R$ 660 mil, conforme divulgado por consultorias de marketing esportivo no início da semana.

Mano custa caro. Tite, o preferido da torcida, também não viria por menos. A folha mensal de pagamentos beira a casa de R$ 10 milhões. É unânime no clube a necessidade de se reduzir os gastos. Pesa ainda os R$ 400 mil que o Corinthians deposita na conta do São Paulo para pagar metade dos salários de Alexandre Pato. Tem ainda os altos salários que o clube desembolsa para Emerson Sheik, encostado há mais de um mês depois de ter sido dispensado do Botafogo.

Mano, Pato, Sheik, a conta do Itaquerão e a eleição presidencial marcada para fevereiro do ano que vem podem comprometer o clube em 2015. A única saída é o time garantir vaga na Libertadores, que daria um oxigênio às finanças do clube na próxima temporada. Essa questão quem tem de resolver é Mano Menezes, que está de saída. O Corinthians está no meio do labirinto.

 

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