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O dono do Brasileirão

Luiz Prosperi

31 de outubro de 2010 | 16h05

Restam apenas seis rodadas para o final do Campeonato Brasileiro. Pouco tempo para desfrutar do futebol dos melhores jogadores. Aliás, muitos deles passaram um bom tempo fora dos campos. Ronaldo, Marcos, Fred, Deco, Paulo Henrique Ganso, Diego Tardelli, apenas para citar os mais badalados, pouco jogaram.

Até por isso, o Brasileirão não teve assim um grande destaque individual. Se fosse para eleger um hoje, Dario Conca ganharia disparado. O baixinho argentino carregou o líder Fluminense nas costas e tem sido decisivo nas últimas e importantes rodadas.

Se o desfile de craques não teve assim muito brilho, a briga à beira do campo esquentou. Os treinadores, mais uma vez, assumiram o papel de protagonistas. Algumas decepções pelo caminho e a confirmação de que Muricy Ramalho dominou a cena.

Dos que deixaram a desejar, dois nomes de peso: Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Eles não conseguiram se impor como em outras temporadas. Administraram crises e sofreram com o futebol.

Luxemburgo teve mais tempo do que Felipão, mas em nenhum momento deu ao Atlético-MG o padrão de excelência que costumava dar em seus times com a marca registrada de futebol bem jogado e ofensivo.

Naufragou no clube mineiro e foi buscar um porto seguro no Flamengo para dar a volta por cima. Não é uma tarefa fácil, nem vai mover montanhas a seu favor. É só um recomeço.

Felipão entrou no meio da história. Pegou o bonde andando e, mesmo com toda a sua sabedoria e experiência, não conseguiu fazer o Palmeiras jogar bola para ser o campeão. E nos últimos dias acendeu o pavio da intolerância.

Sem Felipão e Luxemburgo na arena, restaria a Muricy o embate com Mano Menezes. A Seleção Brasileira acabou com essa brincadeira ao requisitar o técnico do Corinthians para assumir a cadeira de Dunga.

Aliás, a cadeira seria de Muricy. Mas o treinador fez valer seus princípios e disse não à Seleção. Certo ou não, ficou no Fluminense para honrar sua palavra e lutar por mais um título brasileiro. Ele já faturou três (2006, 2007 e 2008) pelo São Paulo. Esteve próximo de faturar um pelo Internacional (2005) e outro com o Palmeiras (2009).

Os adversários de Muricy na reta final do Brasileirão não contam. Cuca, no Cruzeiro, e Tite, no Corinthians, só chegam lá com algum milagre de Montillo ou de Ronaldo. Celso Roth, no Inter, está com a cabeça no Mundial de Clubes. E Marcelo Martelotte, do Santos, ainda é um aprendiz.

Muricy tem tudo para escrever seu nome outra vez na tábua dos campeões do Brasileirão. Num campeonato em que os craques sumiram, o treinador pode ser a grande estrela.

Muricy, queriam ou não, é o dono do Brasileirão 2010.

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