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O futebol e o segundo mandato de Dilma

A primeira tarefa da presidente é encontrar um novo ministro do Esporte, uma vez que Aldo Rebelo já comunicou que não vai continuar no cargo

Luiz Prosperi

27 de outubro de 2014 | 17h01

Dilma Rousseff reeleita coloca na mesa a discussão a respeito das relações da presidente com o esporte e, em especial, com o futebol no segundo mandato. A primeira tarefa é encontrar um novo ministro do Esporte, uma vez que Aldo Rebelo já comunicou que não vai ficar no cargo.

Não será fácil encontrar um político conciliador como Aldo para conduzir o ministério a dois anos da Olimpíada do Rio e ainda administrar as demandas do futebol. Aldo é muito próximo da maioria da cartolagem, frequenta estádios e não esconde seu fanatismo pelo Palmeiras. Tem o futebol nas veias.

Sem entrar no mérito da Olimpíada de 2016, um evento que só tem a desgastar o governo e com pouco retorno político, Dilma terá pela frente opositores como Romário, eleito senador pelo PSB do Rio com pouco mais de 4 milhões de votos, que apoiou Aécio Neves nas eleições. Conta também com a antipatia de ex-atletas de peso, como Ronaldo, e gente que está na ativa como o técnico Bernardinho, do vôlei, e Neymar, um dos poucos ídolos do torcedor brasileiro.

A presidente tem ainda sérias desavenças com o comando da CBF, hoje capitaneada por José Maria Marin. O dirigente andou de braços dados com a Ditadura e é um desafeto de Dilma.

Marin sai de cena em abril de 2015 e cede o trono a Marco Polo Del Nero. Para sorte de Del Nero, um de seus homens de confiança é o deputado do PT Cândido Vaccarezza, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol. Vaccarezza pode tentar uma aproximação de Dilma e seu futuro ministro do Esporte com a “nova CBF” sob as asas de Del Nero.

O problema é que Del Nero e Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, não se bicam. Andrés acaba de ser eleito deputado federal pelo PT na condição de o mais votado do partido em São Paulo. Andrés é amigo pessoal de Lula e deve dificultar uma boa relação entre o novo governo de Dilma e a CBF.

A favor da presidente reeleita o Bom Senso FC, movimento dos jogadores por um futebol melhor, desde que a presidente atenda a pauta de reivindicações dos atletas.

Quanto aos clubes, a relação parece tranquila. O Congresso está muito perto de aprovar a lei de refinanciamento de suas dívidas tributárias. De chapéu nas mãos, os dirigentes não devem dar trabalho ao novo governo.

O futuro do futebol brasileiro passa, e muito, pela decisão da presidente reeleita na hora de escolher o novo ministro do Esporte. A conferir.

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