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O Pacaembu vazio

Luiz Prosperi

26 de fevereiro de 2013 | 20h47

Enfim teremos o jogo do Corinthians com portões fechados nesta quarta-feira diante do Millonarios, da Colômbia, válido pela Taça Libertadores. É o efeito da punição imposta pela Conmebol ao clube brasileiro desde a morte do garoto boliviano Kevin, na semana passada. A sensação é de um vazio profundo. Como um time movido à paixão de sua gente pode suportar um estádio sem o grito da torcida ao sabor do eco do vento?

Os jogadores vão penar para correr 90 minutos impulsionados apenas pela obrigação de vencer. Não vai haver a comunhão entre campo e arquibancada. A cumplicidade deixará de existir.

E quando sair um gol? Como será a comemoração? Para que lado eles vão correr? Para onde vão olhar? Que gestos? Desabafos a quem? Cada gol vai ser um ato inglório de emoção. Cada grito de dor de um eventual pontapé vai ter a dimensão de uma explosão atômica na imensidão do vazio do Pacaembu.

O corintiano acostumado a bradar que o Corinthians não é um time que tem uma torcida e sim uma torcida que tem um time vai engolir seco. De nada vai adiantar abraçar o Pacaembu do lado de fora. O coração quente das ruas não vai aquecer o frio das cadeiras das arquibancadas.

Tudo isso poderia ser evitado. E o jogo desta quarta-feira seria mais um exemplo de devoção de sua gente a um time.

O problema é que alguns imbecis acreditam que têm poder ilimitado para agir em nome de sua paixão. Por isso tratam a morte de um rival como mais um caso. Eles sabem que o clube se acostumou a ser refém de torcedores organizados. Não temem uma punição, não temem as leis e não têm medo da escuridão. Agem como se fossem guardiões do escudo do clube e, em nome dele, tudo podem.

Essa ligação umbilical entre facções organizadas e o comando dos clubes quase sempre acaba em desgraça. A morte de Kevin é mais um capítulo dessa história. Triste e repugnante ao mesmo tempo. E, infelizmente, não vai ter um ponto final mesmo com o Pacaembu vazio nesta quarta-feira.

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