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O silêncio de Neymar

Luiz Prosperi

20 de fevereiro de 2013 | 20h56

Uma advertência de Pelé, uma crítica que seja sobre futebol, não pode ser tratada como um assunto comum. Quando Pelé fala, é preciso prestar atenção. Quando Pelé sente uma dor, é preciso ter cuidado. A palavra do Rei, nessa história do jogo bola, é soberana. Os súditos que se virem.

Por isso Neymar, o príncipe herdeiro – se é que a Majestade do futebol tem um herdeiro –, deveria ouvir com respeito as ponderações de Pelé. Seus assessores mais íntimos também deveriam se resignar diante dos ensinamentos do craque eterno. É até compreensível não concordar com o pensamento do maior jogador de todos os tempos, mas não se pode jogar ao sabor do vento.

“Temos uma confiança danada nele (Neymar). Mas ele é um jogador comum na seleção”, disse Pelé ao Estado. E bateu pesado: “Ele é um jogador sem experiência internacional. É um excelente jogador, mas sem experiência lá fora. Em todos os jogos fora do País ele não vai bem. Todos acham que ele tem de resolver os problemas da seleção. Neymar não está preparado para receber esse peso. Não vai dar para ele. Neymar não está preparado para isso”.

Há alguma inverdade nas palavras do Rei?

E não é só isso, Pelé insiste: “Ele não joga no exterior, o futebol europeu é diferente do futebol latino. Nós do Santos falamos que ele é o melhor do mundo, claro. Mas ele já se preocupa mais em aparecer na mídia do que em jogar para o time. O Neymar tem muita responsabilidade. E sua preocupação é mudar o estilo, mudar o corte de cabelo.”

Em vez de abaixar a cabeça diante dessa pregação do Rei, o staff de Neymar resolveu rebater. O agente Wagner Ribeiro se mostrou o mais indignado com as declarações de Pelé. E chegou ao absurdo de garantir que se Pelé jogasse hoje seria pior do que Neymar.

Quanto ao garoto, nenhuma palavra. O silêncio de Neymar é, por enquanto, a melhor resposta ao Rei. Melhor mesmo seria responder em campo. Deixar de lado as pavonáceas e jogar bola, assunto que ele domina como poucos.

E, não custa nada, visitar aquele senhor de 72 anos na sua casa no Guarujá para receber ensinamentos e ouvir histórias de quem encantou plateias em todo o mundo. Herdeiros não existem apenas para receber a herança. É preciso honrá-la.

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