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Palmeiras erra se render a Gilson Kleina

Luiz Prosperi

12 de novembro de 2013 | 12h45

Categoria: BrasileirãoBrasileirão Série BCampeonato PaulistaPalmeiras

O Palmeiras vive a contradição de ser time de Série A com orçamento de Série B. Caso contrário não teria comprado a ideia de investir em um treinador do quilate de Marcelo Bielsa, de currículo internacional e guru de gerações que admiram o futebol bonito, bem jogado.

Para ter Bielsa, o Palmeiras teria de desembolsar US$ 5 milhões (R$ 11,65 milhões) por ano, tudo isso livre de impostos, o que daria quase R$ 1 milhão por mês. De onde viria o dinheiro?

Quem elaborou esse plano? É difícil acreditar que um clube sem recursos possa pensar em ter Bielsa. Antes de enviar o diretor executivo José Carlos Brunoro a Buenos Aires, o presidente Paulo Nobre deveria ter ligado para Odílio Rodrigues, presidente do Santos, para se informar sobre Bielsa.

O Santos tentou contratar o argentino e caiu de costas com as suas exigências: 1 milhãozinho livre de impostos nas mãos, 18 jogadores de bom nível com moradia fixa no CT Rei Pelé e uma comissão técnica montada por ele. Odílio agradeceu e desistiu de Bielsa.

Por isso, soa como estranha essa história de Bielsa no Palmeiras. Nobre e Brunoro deveriam saber que se trata de um técnico caro. Se os dois pensaram em um treinador de grife, fica mais estranha ainda essa possível renovação de contrato com Gilson Kleina depois da fracassada tentativa para ter Bielsa.

Kleina de bobo não tem nada. Treinador obscuro, de currículo pífio e já com boa quilometragem no futebol brasileiro, fatura cerca de R$ 300 mil por mês no Palmeiras. Para renovar o contrato ele não pediria um centavo a mais, entendendo que dirigir o time na Série A já é uma dádiva.

Entre pagar R$ 1 milhão para o internacional Bielsa, o Palmeiras pode desembolsar R$ 300 mil para segurar Kleina. Patético.

Na primeira crise de resultados, já no Paulistão de 2014, Kleina não vai suportar a pressão. Basta recorrer aos 6 a 2 do Mirassol para cima do Palestra no estadual desse ano. Não caiu por teimosia de Nobre e Brunoro. Kleina também não é unanimidade na torcida.

Kleina conta com apoio dos jogadores que gostam de treinadores de mão leve e voz mansa, diria, sem autoridade para enquadrar os que não cumprem com suas obrigações.

Time de Série A que é, o Palmeiras tem de se livrar das amarras da Série B. A hora é de ser grande.

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