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Palpiteiros de 2014

Luiz Prosperi

19 de julho de 2010 | 21h14

A Copa do Mundo de 2014 começou no domingo retrasado, tão logo o árbitro inglês apitou o final de Espanha 1 x 0 Holanda. Saíram os espanhóis com a taça, os holandeses lamentando, os sul-africanos com saudade da festa e entraram em campo os chatos e oportunistas de sempre.

São aqueles que começam a meter o bedelho no que vem por aí nos próximos quatro anos. Especialistas em todas as áreas dando palpites sobre tudo que envolve o Mundial 2014. A maioria deles talvez não tenha desfrutado de uma Copa ao vivo.

Mas têm autoridade de sobra para falar em mobilidade urbana, segurança, meio ambiente, legado, efeitos no PIB do Brasil, política e até a construção de estádios, os novos elefantes brancos a invadir o País.

Os que ainda não caíram na tentação de dar palpite sobre 2014 aguardam uma chance para defender suas teses. Os canhões apontam aos malfeitores, aos que estão de olho nas verbas públicas, no “nosso dinheiro”. E deitam críticas aos dirigentes de futebol, aos políticos… ladrões.

Até parece que a Copa no Brasil vai ser uma festa típica de um Al Capone e seus pares na Fifa.
Calma aí. Para começar a conversa, a Copa não é do Brasil. É da Fifa, o evento é só dela e a entidade a leva de quatro em quatro anos ao país que tiver interesse em receber a festa. Não há legado nenhum ao país anfitrião.
A única certeza é de que o país sede vai ganhar de 10 a 12 estádios de futebol de primeira linha. Vai movimentar uma fábula de negócios pontuais em todos os setores da economia, que ajudam mas não vão enriquecer ninguém. E ainda vai alavancar milhares de vagas de empregos temporários.

Essa história de investimentos na infraestrutura, aeroportos, corredores viários, metrô e outros setores também não passa de uma grande ilusão.
A maioria dos grandes investimentos é mesmo para a construção ou reformas dos estádios e às suas vias de acesso.

Tudo que um torcedor de Copa do Mundo quer é facilidade na hora de comprar o seu ingresso, um hotel razoável, acesso fácil ao estádio, bons restaurantes e atrações turísticas e de lazer para desfrutar nos 30 dias de uma Copa do Mundo. E a festa é feita para eles. É deles que a Fifa fatura sua grana de forma indireta com seus ricos patrocinadores.

O Brasil para 2014 precisa apenas de bons estádios e aeroportos equipados, o resto é balela.
E os tais elefantes brancos são tão necessários como as enormes pontes estaiadas, grandes shoppings centers e outros monumentos de consumo que se erguem a cada temporada nas grandes cidades brasileiras sem que ninguém dê palpite ou cobre moralidade com o uso do “nosso rico dinheirinho.”

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