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Pato precisa da ajuda de Ganso

Luiz Prosperi

11 de março de 2014 | 12h44

Alexandre Pato disputou 150 jogos pelo Milan e fez 63 gols, entre 2007 e 2013. No Corinthians, foram 62 jogos e 17 gols, de janeiro de 2013 a fevereiro de 2014. Já foi de “novo fenômeno” do futebol brasileiro a jogador comum. Despontou no Internacional, passou pela Itália e ainda muito cedo fez o caminho da volta ao Brasil. Ele tem apenas 24 anos – completa 25 em setembro.

Com esse currículo, Pato tem de reinventar a sua carreira com a camisa do São Paulo. Não há outra alternativa, ou deslancha de vez ou vai dar razão aos críticos que o consideram mais uma mentira que o futebol do Brasil produziu e muita gente engoliu.

A tarefa de Pato para se reerguer não vai ser nada fácil. Pesa contra o seu recomeço precoce os dias de tormenta que viveu no Corinthians e ainda o peso de ter custado R$ 40 milhões – salário estimado em R$ 800 mil, agora dividido entre Corinthians e São Paulo.

Fora do gramado, sua missão é mais difícil. Vive entre a desconfiança dos são-paulinos e a ira dos corintianos – até mesmo o equilibrado Mario Gobbi, presidente do Corinthians, atirou pedras no Pato por ele ter se manifestado feliz da vida com a vitória do São Paulo no clássico. Gobbi fez papel de criança quando perde seu brinquedo preferido para, digamos, “seu irmão mais novo”.

Pato vai passar ainda um longo tempo no fio lutando para não cair, uma queda que destrói os equilibristas. Tem de agradar ao São Paulo e ainda não magoar o Corinthians. Dureza!

Dentro do campo, a tarefa parece mais fácil. Primeiro tem de convencer Muricy Ramalho, depois lutar como um leão sob o olhar atento lá de longe de Rogerio Ceni, se entender por música com Paulo Henrique Ganso e não entrar no território sagrado que Luis Fabiano ocupa, ali dentro da área.

Muricy gosta de jogadores técnicos, por mais incrível que possa parecer. Entre Oswaldo e Pabon, o treinador deve sacar Oswaldo para Pato jogar. Quanto ao olhar severo de Ceni, basta Pato balançar as redes e se comprometer com o time.

Atuando mais pelos lados, partindo em diagonal para o gol, Pato vai se completar com Luis Fabiano.

Mas, o maior aliado que Pato deve ter no time é o Ganso, com o perdão do mundo animal. O atacante tem de se entender com o meia apenas com um olhar. Ganso costuma consagrar grandes atacantes com seus passes de fino trato.

Quando jogava com Robinho e Neymar no Santos, Ganso conheceu a plenitude do seu futebol. A história pode se repetir agora com Alexandre Pato. Um precisa do outro e o São Paulo, por sorte de Muricy Ramalho, precisa dos dois.

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