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Pobre, Dorival!

Luiz Prosperi

17 de setembro de 2010 | 21h51

Os treinadores, consagrados ou não, vivem uma crise de identidade nesse início do segundo turno do Brasileirão. A maioria não atravessa um bom momento. Adílson Batista, no Corinthians, e Celso Roth, no Internacional, são as exceções. Há um certo desprezo pela classe, apesar de muitos embolsarem salários polpudos.

O episódio envolvendo Neymar e o sempre sério Dorival Júnior é a síntese das dificuldades que os técnicos enfrentam no Brasil. O menino mimado tirou a autoridade de Dorival, pisou na sua honra. E o comando do Santos não tomou nenhuma providência. Entre Dorival e Neymar, ficou do lado de quem pode dar um lucro fabuloso mais tarde.

Os treinadores consagrados também não vivem uma boa fase. Muricy Ramalho não conseguiu contornar a crise entre Fred e os médicos do Fluminense. E parece sem saber o que fazer para lidar com as diferenças salariais no clube. Não por acaso, o time carioca despencou com resultados ruins.

Vanderlei Luxemburgo ainda está sem rumo no Atlético-MG. A cada dia tenta apagar um incêndio. E não consegue colocar o time mineiro no prumo.

Felipão confessou sua dificuldade para se adaptar ao futebol brasileiro depois de longos dez anos fora do País. “Espero não ir tão ruim assim até o final do ano”, disse o treinador do Palmeiras. Ele anda, anda e pouco avança apesar de alguns bons resultados.

Felipão, Luxemburgo e Muricy, a santa trindade, ainda são contestados porque recebem gordos salários. Erra quem critica. Eles têm salários altos em função dos seus currículos. Não são enganadores.

Na raia miúda, Cuca, Silas, Renato Gaúcho, Carpegiani, Joel Santana e até o “messias” Jorginho cumprem bem o papel de coadjuvantes.

E os interinos como Sérgio Baresi não têm muito do que reclamar. O caso de Baresi é sintomático. O São Paulo caiu no seu colo como o Flamengo havia caído no colo de Andrade ano passado.

O interino do Morumbi não consegue subir, nem convencer. O ex-interino do Flamengo levou o clube carioca ao título do Brasileirão de 2009. Em abril desse ano  foi demitido pelo acúmulo de resultados ruins na Libertadores.

Andrade ainda está desempregado. Na semana passada, quase assumiu o Ipatinga, lanterna da Série B do Brasileiro. A família do treinador não deixou.

Andrade, o último campeão brasileiro, disse assim: “Eu só quero trabalhar”. E não está pedindo R$ 500 mil por mês.

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