Quando Cássio é a solução da seletimão
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Quando Cássio é a solução da seletimão

Dunga se aproxima muito do Corinthians e não sabe o risco que está correndo

Luiz Prosperi

22 de outubro de 2015 | 21h30

Dunga não promoveu grandes mudanças na lista de convocados da seleção brasileira, muito menos mudou sua análise a respeito do desempenho do Brasil nas Eliminatórias da Copa de 2018.

O problema é que a próxima parada da seleção é a Argentina, em novembro, na casa deles. Mesmo com atuações pífias dos vizinhos nas duas primeiras rodadas das Eliminatórias – derrota para o Equador em Buenos Aires, empate sem gols contra o Paraguai em Assunção -, mesmo sem o gênio Messi, machucado, a Argentina não é um timinho qualquer. Merece e exige respeito.

Dunga sabe o tamanho da encrenca que terá diante dos portenhos. A discussão nem é o resultado, a questão é como a seleção vai se comportar em terra estrangeira. Vai ser covarde como tem sido, sempre à espreita de um contra-ataque, ou vai propor o jogo como manda a regra de um time pentacampeão do mundo? São questões relevantes até porque em um ano à frente da seleção, Dunga ainda não conseguiu definir um time, um perfil tático e muito menos passar confiança aos torcedores.

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Para se ter uma ideia mais clara do trabalho do treinador, ele ainda não elegeu seu goleiro predileto. Dizem no futebol que goleiro é um cargo de confiança, uma primazia do treinador. Pois bem, Dunga não descobriu nem apostou em um nome para ser o seu guardião da meta. E agora apresenta Cássio, goleirão do Corinthians, como solução. Diria, salvação.

Quando um técnico de seleção não sabe quem é o goleiro do time, depois de um ano de comando, é de se preocupar. Dunga não pode mais fazer experiências. Jogos das Eliminatórias funcionam como uma prévia da Copa do Mundo. São desses jogos que brotam o time que vai chegar até o Mundial. Por isso, não se pode perder tempo. É preciso ter convicção. Parece que Dunga ainda não se convenceu de nada.

Dunga corre risco de não chegar até Moscou em 2018. Pior, ele pode ter sua cabeça oferecida na bandeja pelo presidente da CBF Marco Polo Del Nero, enfraquecido com as denúncias e investigações do FBI. Pressionado, Del Nero pode trocar Dunga por Tite para ficar de bem com patrocinadores e a rede de televisão que pagam a conta da CBF.

Não foi por acaso que Dunga escolheu o CT do Corinthians para treinar a seleção antes do jogo com Argentina. Nem foi por um detalhe, a convocação de quatro jogadores do time de Tite.

Dunga que trate de vencer ou convencer nos jogos contra Argentina e Peru ou, caso contrário, não vai passar a virada do ano no comando da seleção brasileira. A sorte dele é que Neymar volta, e isso basta.

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