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Roque Júnior, uma ideia para o Palmeiras

Luiz Prosperi

29 de outubro de 2013 | 14h38

Palmeiras, Santos e Corinthians devem ter novos treinadores em 2014.

Gilson Kleina não deve emplacar no Palmeiras, uma vez que seus dirigentes espalham por aí que não têm interesse em Vanderlei Luxemburgo. Se não querem Luxemburgo, algum outro treinador está na pauta e, parece, não é o Kleina.

Tite também está de saída do Corinthians. Se fosse para ficar, ele já deveria ter encaminhado a renovação do contrato que repousa na sua mesa há pelo menos dois meses.

Claudinei Oliveira também não terá vida longa no Santos. Na Vila Belmiro, o projeto passa por  um técnico de grife, desde que não muito caro. Perfil que se encaixa com Ney Franco.

Nesse deserto de ideias que permeia o mundo dos treinadores no futebol brasileiro, pego carona no debate entre o mestre José Eduardo Carvalho e seu parceiro Carles Marti, vizinhos de blog  (500 Dias Antes da Copa) aqui no Estadão, para entrar na discussão. Eles levantam a questão da falta de novos e arejados treinadores brasileiros que poderiam dar uma chacoalhada nos nossos clubes. Assino embaixo.

E coloco nesse debate o nome de Roque Júnior. Zagueiro campeão do mundo, uma das raras cabeças pensantes do nosso futebol, Roque tem algo novo a propor no nosso futebol. Ele espera por uma chance para expor suas ideias no comando de um time no Brasil.

De forte identidade com o Palmeiras, Roque Júnior poderia ser uma aposta ousada de Paulo Nobre e José Carlos Brunoro no ano do centenário. Seria uma ruptura com tudo o que temos aí e um espaço para um novo técnico.

Brunoro deu essa tacada ao contratar Vanderlei Luxemburgo em 1993 para o Palmeiras. Luxemburgo era um desconhecido e tinha no currículo o título paulista de 1990 com o pequeno Bragantino. Campeão de quase tudo no Palmeiras, Luxemburgo se consagrou como um dos maiores técnicos do Brasil de todos os tempos.

Para quem não conhece as ideias de Roque Júnior, recomendo a entrevista que ele concedeu ao site Fifa.com. A seguir alguns trechos da entrevista:

Esse seu tino para a educação fica claro pela sua trajetória até se tornar treinador, não?
Pois é, porque o que eu acho é que, como jogador, eu sabia fazer. Hoje, preciso entender e tentar transmitir. Eu fiz um MBA em gestão esportiva e depois o curso de treinador quando era dirigente do Primeira Camisa FC. Fui tomando gosto, fiz estágio com o Felipão no Palmeiras e, depois, fui à Europa.

E lá com quem você aprendeu?
No FC Porto fui falar com um senhor chamado Vitor Frade, que tem uma metodologia de treinamento para o futebol sobre a qual eu vinha lendo muito. Depois, estive com o Marcelo Bielsa no Athletic Bilbao e com o Juergen Klopp no Borussia Dortmund. Fiquei quase duas semanas. Quando voltei, falei: “ah, vou seguir”. Agora, em maio, fiz o primeiro nível da UEFA, na Itália.

Houve algum tipo de situação que chamou especialmente sua atenção ao acompanhar de perto essas equipes treinando?
Eu vi muito tanto o Klopp quanto o Bielsa fazerem do treino um jogo. A gente costuma dizer noBrasil que treino é treino e jogo é jogo, mas não é bem assim: no geral, se você faz no treino, as coisas acontecem no jogo. Sabe a intensidade do Borussia Dortmund na transição da defesa pro ataque? Isso é treinado. Você assiste aos treinos e entende exatamente por que eles estão saindo com aquela velocidade toda para o jogo. Muita gente confunde; acha que treinar significa transformar em robô, mas não: é uma liberdade organizada. Tática é o que sua equipe, coletivamente, tem que fazer nos quatro momentos que tem o jogo: defensivo, ofensivo, transição ataque-defesa e defesa-ataque. Mas no Brasil nunca ninguém nem me falou que o jogo tem quatro momentos.

PARA LEMBRAR

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