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Super-Dunga erra ao relacionar Kaká

Nomeado pela CBF como técnico mais poderoso da história do futebol brasileiro, o treinador ainda acredita em Kaká na seleção

Luiz Prosperi

12 de maio de 2015 | 12h28

Dunga virou o técnico mais poderoso do futebol brasileiro dos últimos tempos. Convocado pela CBF para assumir a seleção olímpica, o treinador, mas pode chamar de Super-Dunga, terá pela frente de imediato a Copa América, entre junho e julho no Chile, e as três primeiras rodadas das Eliminatórias da Copa de 2018, em outubro. No ano que vem, disputará mais uma Copa América, de 3 a  26 de junho, em seguida, a Olimpíada no Rio, e mais três a quatro rodadas das Eliminatórias do Mundial.

Jogando tudo no balaio, Dunga terá de se dividir entre a seleção principal e olímpica em quatro competições importantíssimas e de alto nível. A CBF, parece, confia de olhos fechados no treinador.

Bom lembrar que todos os desafios colocados ao Super-Dunga são imensos. Uma encrenca atrás da outra. Nesta Copa América que se avizinnha, as convocações de Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai já são um recado da bucha que vem aí. Adversários de muita qualidade e uma penca de jogadores com a patente de craque e com muito apetite para beliscar a taça.

Passada a Copa América, a seleção brasileira vai encarar as Eliminatórias da Copa de 2018. E dessa vez não será uma moleza como tem sido nas últimas edições. Desde 2000, a tabela das Eliminatórias era feita por Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), e Nicoláz Leos, ex-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

Os três manipulavam a tabela, sempre com a ordem dos jogos favoráveis a Brasil e Argentina. Teixeira está fora da CBF desde 2012, Grondona faleceu e Leoz renunciou à Conmebol em 2013. Sem esses três magnatas da cartolagem, a Conmebol vai sortear a tabela, portanto sem benefícios ao Brasil e Argentina. É mais um complicador para Super-Dunga.

No ano que vem, Dunga vai levar a seleção para disputar a Copa América, comemorativa aos cem anos da competição, nos Estados Unidos, menos de um mês da estreia do Brasil no torneio de futebol da Olimpíada do Rio-2016. O treinador, provavelmente, vai disputar a Copa América com o time olímpico. Depois engata com os Jogos Olímpicos no Rio com a obrigação de conquistar a medalha de ouro. Qualquer outro resultado e adeus viola.

Esses são dos desafios do Super-Dunga que, de tão poderoso, convoca Kaká e Leandro Damião para a lista de espera da Copa América no Chile. Kaká é quase um ex-jogador em atividade no futebol dos Estados Unidos e Leandro Damião não é muito diferente de um poste que, de vez em quando, faz uns golzinhos.

Dunga tudo pode.

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