Tite ficou maior que o Corinthians? Só ele pode responder
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Tite ficou maior que o Corinthians? Só ele pode responder

Treinador reinventa o time, se consagra no Brasileirão 2015 e pode pensar em um voo mais alto em 2016

Luiz Prosperi

20 de novembro de 2015 | 16h50

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Torcedores do Corinthians estão de velas acesas para celebrar o título do Brasileirão 2015 e para Dunga ter vida longa na seleção brasileira. Torcem o nariz só de ouvir falar que Marco Polo Del Nero, acuado com a CPI no Senado, possa trocar Dunga por Tite. Seria a pior notícia aos corintianos que projetam uma temporada redentora em 2016 como a de 2012 quando o time, com Tite na chefia, levou a Libertadores e o Mundial.

Del Nero, encastelado na CBF, espalha a seus súditos que não pensa em tirar Dunga da seleção no ano que vem. A vitória diante do Peru, que alçou o Brasil à terceira colocação nas Eliminatórias da Copa de 2018, acalmou a fúria e os que pedem a saída de Dunga.

Este cenário é o ideal, na opinião dos torcedores e da diretoria do Corinthians. Perder Tite agora seria o caos. Tem de se levar em conta também os anseios do treinador. Em público, Tite garantiu que não pensa em deixar o clube, nem mesmo diante de um apelo da CBF. Como dizem os boleiros, é uma conversa para boi dormir. Se Del Nero piscar o olho em direção a Tite, ele vai atender ao chamado.

O prejuízo seria imenso ao Corinthians. Não se tem no mercado um treinador capaz de transformar pó em ouro, muito menos ter tamanha identidade com o clube como Tite tem com a gente alvinegra.

Tite teve o mérito de reinventar o time e recuperar jogadores até então dados como casos perdidos. O zagueiro Felipe, por exemplo. Colecionador de gols contra, inseguro, ele se tornou um beque de respeito e abriu janelas ao futebol do exterior. Jadson, opaco e omisso, virou um meia de excelência com presteza nos gols decisivos e nas assistências sem fim. E Renato Augusto, um jogador que não confiava nem mesmo nas suas virtudes e no físico, em um meia de fino trato, com patente de seleção brasileira.

Outra boa sacada de Tite foi aplicar com maestria conceitos do futebol europeu, sem perder a essência da bola que se joga no Brasil.

Tite, aliás, precisava mesmo de se reinventar após as conquistas de 2012 (Libertadores e Mundial) e dos fracassos ainda nesta temporada com a queda no Paulistão diante do Palmeiras, Copa do Brasil contra o Santos, e o vexame maior ao ser eliminado pelo desconhecido Guarani paraguaio na Libertadores.

Saiu do lugar comum na mesma temporada e levou mais uma taça. Resta saber agora se o Corinthians ficou pequeno para Tite. Só ele pode responder.

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