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Torcida única, a morte do futebol

Luiz Prosperi

05 de fevereiro de 2015 | 17h54

Ministério Público, Federação Paulista de Futebol, Palmeiras, Corinthians e a Polícia Militar deram um grande passo nesta quinta-feira para enterrar o futebol brasileiro. A decisão tomada em conjunto por essas entidades determinando torcida única no clássico de domingo no Allianz Parque é o atestado de óbito do futebol que se rendeu às facções organizadas.

Por medo de confrontos entre os vândalos, o Ministério Público de São Paulo achou por bem que seria melhor o clássico receber apenas a torcida do Palmeiras. Torcedores do Corinthians não poderão nem chegar perto da moderna arena alviverde.

Uma das alegações do MP é que foram detectadas nas redes sociais brigas marcadas entre as duas torcidas. Seria uma vingança de uma contra a outra pelas mortes mais recentes entre seus pares. Estão previstas emboscadas e confrontos sabe se lá onde.

Essas batalhas urbanas não são uma novidade em São Paulo. Acontecem cada vez mais longe dos estádios, em becos, avenidas e até rodovias. Território livre para a carnificina.

Quem garante que a restrição à torcida corintiana de comparecer ao estádio no clássico vai inibir a ação das organizadas? Não há a menor garantia da Polícia Militar, da Secretaria de Segurança Pública e muito menos do MP.

Se duas torcidas não podem conviver no mesmo espaço, então para que serve o jogo de futebol? Se os responsáveis pela segurança não assumem suas responsabilidades, então seria melhor banir os clássicos do calendário do futebol brasileiro.

Aí cabe uma pergunta: se, por acaso, acontecer mais uma morte entre confrontos de facções organizadas neste domingo, qual será a próxima providência das ditas autoridades?

Acho que tenho a resposta: jogos de futebol sem torcida, com portões fechados. Seria a glória para o MP, PM e dirigentes do mundo da bola.

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