As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Treinadores não valem nada no Brasil

Luiz Prosperi

13 de outubro de 2010 | 16h27

Os treinadores perderam importância no Brasileirão 2010. Em 29 rodadas aconteceram 29 trocas de técnicos. Ninguém resistiu. Desde os consagrados até os interinos querendo um lugar ao sol. A dança das cadeiras é uma prova contundente de que os treinadores, cada vez mais, não têm o peso que imaginam ter. E cartolas só pagam salários absurdos aos ditos “professores” por falta de planejamento nos clubes que dirigem.

Chega a ser ridículo. Os dirigentes despejam um caminhão de dinheiro nos salários dos técnicos e depois, na primeira sequência de resultados ruins, despejam os treinadores na rua. É a prova real de que os técnicos não têm tanta importância assim.

Mostra também como os jogadores se escondem acobertados nas demissões dos chefes. Sem personalidade, não assumem o papel de protagonistas. Jogam tudo nas costas dos técnicos para fugir de suas responsabilidades. São poucos os que se engajam na organização do time, se preocupam em analisar os times adversários. Pensar, não é com eles.

Os dirigentes não compram briga com os jogadores, nem mesmo com os “chinelinhos”. Também não se preocupam em organizar o departamento de futebol. Na maioria das vezes entregam a responsabilidade a um conselheiro da sua ala política. E ainda despejam nas costas do treinador a tarefa de cuidar da cozinha, rouparia, vestiários, fisioterapia, fisiologia, preparação física, auxiliares, auxiliares dos auxilares…

É por isso que os professores engordam suas comissões técnicas e cobram os tufos. Mais que dirigir o time, cuidar só do que se passa nas quatro linhas, eles têm de trabalhar como verdadeiros gerentes de futebol. Na maioria dos casos, os ditos professores não têm cacife nem estrutura para suportar o trabalho.

Os dirigentes não estão nem aí. Usam como desculpa os altos salários que pagam. E ficam ali medindo os resultados do time. Quando as vitórias viram pó, mandam o professor embora sem cerimônia, sem saber se no mercado tem alguém de plantão para tomar conta do time, do departamento… Para eles, o importante é aquietar a torcida e eximir de culpa o grupo de jogadores.

Tudo isso explica um pouco a queda de Adílson Batista e o desespero de Andres Sanches para encontrar um novo messias para comandar o Corinthians.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.