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Um ouro para tolos

Luiz Prosperi

22 de julho de 2012 | 21h44

Quinta-feira, em Cardiff, a Seleção Brasileira estreia na Olimpíada diante do Egito. Joga e começa a viver o eterno drama da busca pelo ouro inédito. Corrida desnecessária e inútil. O futebol do Brasil não vai sofrer uma revolução se não voltar de Londres com a medalha.

Aliás, a Olimpíada tem sido ruim para o futebol brasileiro, não pelo resultado em si, mas pelos efeitos dois anos depois na Copa do Mundo.

Só para não vasculhar muito o passado, vamos voltar aos Jogos de 2008 em Pequim. Por teimosia da CBF, Dunga, então técnico da seleção principal, assumiu o time olímpico. Levou para a China Ronaldinho Gaúcho, Diego (ex-Santos) Hernanes, entre outros potenciais candidatos ao grupo que iria à Copa na África do Sul, dois anos mais tarde.

Na queda da Seleção de Dunga em Pequim, Ronaldinho Gaúcho, Diego e Hernanes rodaram junto e não foram convocados para o Mundial. Dunga jogou fora alguns expoentes da nossa Seleção, que foram mal em Pequim, para apostar em jogadores de baixa qualidade na Copa de 2010. Deu no que deu.

A situação se repete agora. Mais uma vez, a CBF permitiu ao treinador da seleção principal, no caso Mano Menezes, comandar o time na Olimpíada. A cadeira seria de Ney Franco, que havia garantido a vaga nos Jogos de Londres com a conquista do Sul-Americano Sub-20 no Peru.

Ney Franco tinha as coordenadas do jovem grupo nas mãos e na cabeça. Poderia forjar uma nova geração, tendo como base aquele elenco da Sub-20 com alguns enxertos obrigatórios como Ganso e Alexandre Pato.
Mano seria um observador nos Jogos de Londres. Teria bons subsídios para extrair do grupo de Ney Franco peças fundamentais para a Seleção de 2014. Não se sabe se por capricho do próprio Mano ou da CBF, o fato é que Ney Franco não foi aos Jogos e hoje sofre para reorganizar o São Paulo.

A bomba agora está nas mãos de Mano. Se não garimpar o ouro na capital inglesa, pode voltar desempregado para o Brasil. Alguns jogadores de bom quilate, que estão com o treinador em Londres, também podem ficar no meio do caminho, a exemplo de Ronaldinho Gaúcho, Diego e Hernanes em 2008 que não chegaram em 2010 na África do Sul.

Na queda em Pequim, a CBF preservou a cabeça de Dunga e cortou pescoços preciosos que fariam falta mais tarde na Copa do Mundo.

No caso de Mano, se ele for para guilhotina e levar alguns jogadores, o Brasil teria de começar do zero o planejamento para a Copa de 2014.

Como no futebol brasileiro planejar não é prioridade, com ou sem o ouro de Londres nada vai mudar.

coluna publicada no Jornal da Tarde (23/07/2012)

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