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Vem mais 7 a 1 aí, Brasil

A CBF adota o retrocesso como padrão e não assume a responsabilidade de mudar o futebol brasileiro depois da goleada

Luiz Prosperi

08 de agosto de 2014 | 21h50

Um mês depois da tempestade de gols da Alemanha no Mineirão, a revolução ou o início de uma nova era no futebol brasileiro não vingou. Nada, absolutamente nada, mudou. Os responsáveis pela tragédia foram viver suas vidas e os dirigentes trocaram o comando da seleção para consolidar o retrocesso.

Nenhum dos protagonistas do fracasso jogou ao menos uma semente de esperança. Nem era de se esperar muita coisa de uma gente aquartelada no poder há décadas. Nem mesmo dos investidores se poderia imaginar uma ação decisiva em nome da mudança. Estão aí morrendo de medo de perder dinheiro. E não reagem.

Tímidos movimentos da mídia e de alguns catedráticos da bola também não foram suficientes para comover a multidão. Muito menos da Globo, detentora dos direitos de exibição dos jogos, apesar de a rede de televisão iniciar uma consulta aos clubes na tentativa de recuperar a audiência do futebol.

É como se o 7 a 1 não existisse. Inventaram que o Brasil levou uma goleada daquelas de doer na alma, só isso. Ninguém saiu ferido, apesar do mar de lágrimas.

Assim, nesse ambiente mórbido e coalhado de baratas tontas a fugir do inseticida, vamos refrescar a memória dos que ainda têm paixão pelo futebol brasileiro um mês depois da tragédia.

Saem Felipão e Parreira, entram Gilmar Rinaldi, um mercador de jogadores, e Dunga, aquele sem eira nem beira cujo discurso único é exaltação do comprometimento e sentimento de servir a seleção.

José Maria Marin e Marco Polo Del Nero consolidam a parceria na divisão do trono da CBF e concedem a Alexandre Gallo o poder para reinventar as categorias de base da seleção. O currículo de Gallo cabe numa caixa de fósforos.

Kaká, 32 anos, e Robinho, 30, voltam ao Brasil como heróis em extinção. Ronaldinho Gaúcho se despede do Atlético-MG sem destino. Um punhado de jogadores medianos de países vizinhos do Cone Sul vira reforço dos principais clubes do Brasileirão. Felipão encontra abrigo no Grêmio, velho parceiro, para se esconder das pedradas.

Cai a média de gols e de público no principal campeonato do País. Ex-jogadores de boa cabeça e formação continuam sem voz e desprezados pelo comando do futebol  brasileiro.  E A CBF adota o retrocesso como padrão.

Vem mais 7 a 1 por aí.

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