Vitórias de Del Nero na CBF e CPI do Futebol
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Vitórias de Del Nero na CBF e CPI do Futebol

Na entidade, o cartola emplaca a eleição do vice, Coronel Nunes. E na CPI, derrota Romário, que está sozinho na luta contra a CBF

Luiz Prosperi

17 de dezembro de 2015 | 13h01

 

 

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Marco Polo Del Nero conseguiu duas vitórias nesta quarta-feira. Na CBF, como se esperava, emplacou o vice-presidente Coronel Carlos Nunes, de 77 anos. Na CPI no Senado, apenas ouviu críticas ácidas de Romário e do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o silêncio cúmplice de outros parlamentares. Del Nero, mesmo licenciado na CBF, continua no poder e comandando o futebol brasileiro – apesar das investigações do FBI.

Na eleição do Coronel Nunes, presidente da Federação Paraense há 30 anos, a vitória de Del Nero era certa. Do colégio eleitoral de 67 votos – 27 de federações + 40 de clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro –, Nunes recebeu 44 votos e se elegeu vice-presidente da CBF e, mais do que isso, é o primeiro na linha sucessória de Del Nero por ser o vice mais velho da entidade. Tudo como Del Nero queria e manobrou.

Neste embate na CBF, Del Nero contou com a subserviência dos presidentes de federações, em especial de Reinaldo Bastos, presidente da Federação Paulista, e Rubens Filho, da Federação Carioca. Foram esses dois cartolas que convocaram e convenceram o Coronel Nunes a ser o candidato a vice, atendendo à “solicitação” de Del Nero.

Os clubes, maioria no colégio eleitoral da CBF, também beijaram as mãos e anéis de Del Nero aceitando a imposição do nome do Coronel Nunes. Não se rebelaram. Se omitiram como sempre, escancarando a absurda desunião entre eles. Se renderam a Del Nero sem a menor resistência.

Na CPI, a vitória de Del Nero já era esperada. A maioria dos parlamentares também se omitiu. Teriam sido “convencidos” no lobby muito bem feito por Vandenbergue dos Santos Sobreira Machado, da diretoria de Assessoria Legislativa da CBF, e de Marcelo Aro e André Pitta, também diretores da CBF, com bom trânsito entre os deputados da chamada Bancada da Bola.

Romário tem conhecimento desse lobby e sabe muito bem que está isolado dentro da CPI no embate com Del Nero.

Não por acaso, o presidente licenciado da CBF se sentiu à vontade diante dos questionamentos de Romário e Randolfe na sessão da CPI nesta quarta-feira em Brasília.

O futebol brasileiro, apesar da pressão de gente ilustre no movimento #ocupaCBF, só vai mudar se os patrocinadores, que injetam milhões de reais na CBF, se unirem a outros segmentos contrários ao modo de operar da entidade que começou com João Havelange, se estendeu a Ricardo Teixeira e chegou a José Maria Marin e, por inércia, a Marco Polo Del Nero.

Os quatro perderam posto na Fifa, acusados de corrupção. Teixeira, Marin e Del Nero são investigados pelo FBI.

E os torcedores continuam dando vida a essa gente por amor a seus times.

O blogueiro entra de férias e volta em janeiro. Bom 2016 a todos.

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