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Votos que movem os cartolas

Luiz Prosperi

09 de abril de 2011 | 14h32

Dirigentes dos grandes clubes paulistas estão alucinados atrás de holofotes e votos. Três deles enfrentam eleições importantes e não medem esforços para continuar no poder.

Juvenal Juvêncio, no São Paulo, é o mais ativo. Nos últimos dois meses revirou o Morumbi. Contratou Luís Fabiano, fez uma megafesta em homenagem a Rogério Ceni e Luís Fabiano, apresentou nova coleção de uniformes remetendo aos anos de 1970, de grande pujança do clube. E ainda deu um golpe de mestre levando os netos de Pelé para as categorias de base do Tricolor.

Juvenal amarrou tudo isso com o aval dos cardeais do São Paulo que, com base nos estatutos do clube, concederam ao cartola o privilégio de um terceiro mandato nas eleições previstas para o final deste mês. Pleito que serve apenas para ratificar Juvenal na presidência.

Luís Alvaro Ribeiro não fez muito diferente. Mesmo a um custo alto, engordando a dívida do Santos, o dirigente dispensou Adilson Batista e foi buscar o caro Muricy Ramalho. Jogou a torcida contra Paulo Henrique Ganso ao escancarar que o craque quer ir embora. E não para de bajular Neymar espalhando aos quatro cantos que o menino pode faturar até R$ 1 milhão por mês se permanecer na Vila Belmiro. Detalhe: a dívida do Santos, segundo publicou a imprensa paulista, já bate na casa dos R$ 120 milhões.

Todo este movimento de Luís Alvaro tem como alvo as eleições marcadas para meados de dezembro. Ele tenta o seu segundo mandato.

No Corinthians, não é muito diferente. Andres Sanches, até aqui impedido de disputar mais uma eleição por força do estatuto do clube, tenta emplacar seu sucessor. Andres já gastou muito para trazer Liedson e agora aposta em Adriano, outra tacada de marketting, que será apresentado à Fiel neste domingo. A corrida por Seedorf, astro holandês do Milan, também faz parte do pacote de mimos aos torcedores e demonstração de força política no clube. Sem falar no início das obras no Itaquerão previsto para o final deste mês.

As eleições no Parque São Jorge serão em dezembro. Por enquanto, Andres apoia Mario Gobbi, ex-diretor de futebol do clube.

No Palmeiras, os efeitos do terremoto eleitoral ainda não acabaram. Arnaldo Tirone, eleito em janeiro, enfrenta uma dura batalha contra aliados de primeira linha que insistem em frear as obras da Arena Palestra. O novo estádio é a salvação do clube, por mais que obtusos cartolas digam não.

Assim os barcos dos clubes paulistas se movimentam em busca de um porto seguro. Os dirigentes não largam o osso.

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