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Brasil joga final com nítida vantagem fisiológica

Ricardo Guerra

30 de junho de 2013 | 06h22

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Seria muito difícil negar que o Brasil não entrará em campo hoje com uma vantagem nítida sobre a seleção espanhola. Os jogadores comandados pelo técnico Vicente Del Bosque estão vindo de uma semifinal extremamente desgastante, pois além dos 90 minutos decorrentes do tempo regulamentar do jogo contra a Itália, eles também jogaram uma prorrogação exaustiva de 30 minutos que terminou com uma disputa acirrada nos pênaltis.

Além do mais, eles chegam à final contra o Brasil com 24 horas a menos de descanso, pois a seleção canarinho se beneficiou ao jogar a sua semifinal um dia antes. Na semana passada, em matéria publicada neste blog, comentei sobre a incoerência do calendário atual da competição.

Em conversa pelo telefone, o Dr. John Ivy, fisiologista da University of Texas, me disse que será realmente um grande desafio para a equipe espanhola se encontrar com a mesma vitalidade física que o Brasil dentro de tais circunstâncias.

“Fisiologicamente, a seleção brasileira estará em vantagem, pois seus jogadores tiveram mais dias de recuperação do que a Espanha. Assim sendo, se o Brasil utilizou o período de recuperação com inteligência e com uma boa estratégia, eles irão jogar a final mais descansados e melhor preparados e, consequentemente, com uma vantagem tanto fisiológica como psicológica”, acrescentou o professor Clyde Williams da Loughborough University.

O desafio para os jogadores espanhóis se recuperarem a tempo da final contra o Brasil certamente começou imediatamente após o jogo contra a Itália. A reposição de fluídos perdidos e dos carboidratos durante e após a partida de futebol é da mais alta importância.

Assim sendo, existem artifícios cruciais, alguns mais ousados do que outros, para acelerar o processo de recuperação dos jogadores entre as partidas que são disputadas em um curto período de tempo.

Logo, após a prática do exercício exaustivo, por exemplo, existe uma rara oportunidade em que as células dos músculos esqueléticos estejam mais sensíveis e suscetíveis a receberem nutrientes vitais, que abastecem significativamente os estoques de glicogênio, que fornece a energia necessária para as contrações musculares e que é o combustível armazenado nos mesmos.

É possível fazer com que os níveis de glicogênio voltem ao normal dentro das 48 horas após uma partida se os jogadores seguirem um regime apropriado de alimentação, se tomarem os suplementos ergogênicos adequados e se tiverem tempo suficiente de repouso.

No entanto, a reposição dos níveis de glicogênio é um dos muitos componentes do processo de recuperação de um jogador. Além disso, vários outros mecanismos fisiológicos desempenham uma importante função dentro do processo de recuperação, e alguns deles podem levar mais tempo para serem normalizados.

Também segundo o Dr. Ivy, a participação em partidas consecutivas extenuantes ocasiona micro-rupturas musculares e outros efeitos negativos na integridade fisiológica desse sistema, que consequentemente podem dificultar o armazenamento de glicogênio nos músculos esqueléticos.

Dessa maneira, não é certo que os jogadores espanhóis ou até mesmo os brasileiros possam ter tido o tempo necessário para o reabastecimento ideal dos níveis de glicogênio.

Entretanto, vale a pena mencionar que é muito provável que tanto a seleção espanhola como a brasileira estejam de fato utilizando algumas das diversas técnicas para acelerar o processo de recuperação.

Segundo o Dr. John Ivy, o que determinará se os espanhóis vão ter ou não gasolina suficiente no tanque próximo do final da partida, será o empenho deles em ter seguido piamente uma estratégia eficiente com o intuito de acelerar o processo de recuperação logo após o jogo contra a Itália.

“De fato, a seleção espanhola poderá se encontrar diante de uma situação complicada no jogo contra o Brasil, caso não tenha levado a sério tais estratégias de recuperação,” afirma o fisiologista Ivy.

Na verdade, só teremos certeza do grau de ousadia dos espanhóis dentro da área da fisiologia do esporte quando tivemos a oportunidade de examinar o rendimento físico daquela equipe no decorrer do jogo. Portanto, a partida também será uma grande oportunidade para fazer uma avaliação do desempenho fisiológico da seleção brasileira.

Desse modo, pelas circunstâncias decorrentes do calendário da Copa das Confederações, o Brasil terá a obrigação de se apresentar fisicamente de forma melhor. Agora basta esperar o término da partida para chegarmos as nossas conclusões. Aguardamos e esperamos que o Brasil esteja com o tanque cheio.

 

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