As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Sobrevivendo ao câncer de mama: os benefícios do exercício físico

Ricardo Guerra

06 de fevereiro de 2014 | 05h40

breastcancerwalkc_2.jpg

Os benefícios para a saúde decorrentes da prática regular de atividade física estão mais do que comprovados. Consequentemente, uma grande variedade de estados patológicos poderia ser combatida, e até mesmo evitada, com uma caminhada ou corridinha no dia a dia.

De fato, estudos demonstraram que as sobreviventes de câncer de mama que cumprem as recomendações atuais de exercício (2,5 horas de atividade física de intensidade moderada por semana) sofrem menor risco de morrerem da doença (uma redução de 25%).

Agora, uma nova pesquisa conduzida pelo Dr. Paul Williams, pesquisador do Lawrence Berkeley National Laboratory, recentemente publicada no International Journal of Cancer, indica que, indo além das presentes recomendações, as pacientes podem ainda se beneficiar de uma maior proteção. Além disso, a pesquisa indica que o jogging pode trazer maiores benefícios do que a caminhada.

O estudo do Dr. Williams seguiu 986 sobreviventes de câncer de mama durante um período de aproximadamente dez anos.Na verdade, prevê-se que mais de 232.000 casos de câncer invasivo de mama sejam diagnosticados nos Estados Unidos em 2013. Neste país, as taxas de mortalidade de câncer de mama nas mulheres são as segundas mais elevadas, logo depois do câncer de pulmão.

“Em nosso estudo observamos que em sobreviventes de câncer de mama a prática do jogging (1 km por dia) diminuiu a mortalidade devida à doença em cerca de 40%, enquanto que caminhar a mesma distância por dia diminuiu-a em cerca de 3%”, disse-me o pesquisador.

As tentativas de compreender melhor os mecanismos fisiológicos potencialmente responsáveis por tal proteção estão em pleno curso e são frequentemente debatidas. Assim sendo, querendo obter uma explicação mais concreta, eu perguntei ao Dr. Williams quais seriam os mecanismos fisiológicos potencialmente responsáveis pela maior proteção conferida pelo jogging em relação à caminhada.

“Níveis elevados de estrogênio são considerados um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de mama”, notou o professor, acrescentando que “a maior intensidade do jogging em relação à caminhada tem um efeito mais potente na supressão de certos hormônios femininos, como, por exemplo, o estrogênio, bem como de elementos vinculados com os fatores de crescimento insulínico tipo 1 (IGF-1).”

Perguntei ao investigador norte-americano como seu estudo se destaca em relação a outras pesquisas da área: “Os outros estudos não analisaram corredores. A nossa análise é especial porque inclui tanto praticantes do jogging como da caminhada”.

No final da nossa entrevista, perguntei ao Dr. Williams qual seria sua mensagem final para os nossos leitores. Sem vacilar, ele disse que as sobreviventes de câncer de mama deveriam procurar o jogging ou outras formas de atividade física de maior intensidade que estimulem a capacidade aeróbica com maior eficiência.

“No entanto, devemos deixar claro que a caminhada praticada regularmente acarreta benefícios fisiológicos e não devemos menosprezar tal modalidade, pois qualquer atividade física é melhor que o sedentarismo”, finalizou o professor.

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.