A tecnologia do Dacar pode salvar vidas

A tecnologia do Dacar pode salvar vidas

Ricardo Ribeiro

06 de janeiro de 2015 | 20h51

Infelizmente é um dia triste no Dacar. O comunicado oficial de hoje emitido pela organização sobre a morte do piloto polonês Michal Hernik, citou uma palavra que soa estranha para os brasileiros: o Iritrack. Alguns pilotos já até usaram no Rally dos Sertões.

Em resumo, é uma espécie de rastreador instalado em carros, motos, caminhões, quadriciclos, veículos de assistência mecânica e os próprios carros da organização. Ele sabe exatamente tudo o que acontece na prova, metro a metro. Hoje, por coincidência, fui visitar base do Iritrack montada no acampamento de Chilecito, na Argentina.

Vou mostrar com exclusividade aqui para os leitores do blog do Estadão.com, como tudo funciona.

O aparelho
Tem o tamanho de uma lata de refrigerante deitada, em termos de tamanho e altura. É instalado nos veículos e é obrigatório o uso do equipamento.

Como funciona
Ele emite sinais para satélites, como a rota que está sendo percorrida, a velocidade, a foto, o nome e número do piloto e a localização exata através de coordenadas geográficas, com latitude e longitude. Na central é possível olhar pequenos pontos verdes se mexendo nas telas dos computadores. Se alguém se perder ou sair da rota, ele será localizado. Ninguém mais fica perdido, como acontecia no deserto da África tempos atrás.

Para onde vão as informações
Os sinais são emitidos para um base localizada em Paris, sede da organização do Dacar e, de lá, são rebatidas para uma central instalada no acampamento do rali.

Base do Iritrack montada no acampamento do Rally Dacar em Chilecito, na Argentina. As informações do equipamento são enviadas para a França e depois são rebatidas para o centro de comunicação do Dacar

Base do Iritrack montada no acampamento do Rally Dacar em Chilecito, na Argentina. As informações do equipamento são enviadas para a França e depois são rebatidas para o centro de comunicação do Dacar. Foto: Ricardo Ribeiro/Vipcomm

O que os técnicos fazem com as informações
Se algo parecer que está errado, como foi o caso do Michal hoje, a equipe toma as atitudes necessárias, como acionar algum carro da organização que esteja perto daquele local ou enviar imediatamente um helicóptero de resgate – o que foi feito hoje.

Como o piloto polonês foi achado
Toda a operação, desde o momento de que ele “saiu” da rota até a chegada do helicóptero, demorou menos de 1 hora e meia. Isso só foi possível graças ao Iritrack, mas infelizmente os médicos não conseguiram reanima-lo. Ele estava morto a 300 metros da pista da etapa de hoje.

Controle de velocidade
Além de um equipamento indispensável para o resgate, ou a tentativa de, como foi o caso de Michal, o Iritrack também serve como “espião” da prova, já que pode “dedurar” os veículos que excedem os limites de velocidades nas estradas, zonas de radares.

Se o piloto ainda estivesse vivo, com certeza a tecnologia teria ajudado a diminuir essa estatística negativa de mortes no rali.

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