As estratégias da Honda para o Rally Dakar 2016

As estratégias da Honda para o Rally Dakar 2016

Ricardo Ribeiro

10 de dezembro de 2015 | 14h24

Tudo bem, amigos?

Alexandre Cury, de 44 anos, diretor comercial da Honda Brasil, fala com exclusividade ao blog “Bastidores e Curiosidades do Dacar” sobre a participação da marca na maior competição off-road do mundo, o Rally Dakar, que começará dia 2 de janeiro em Buenos Aires e terminará dia 16 em Rosário, também na Argentina. A Honda terá uma equipe da América do Sul, a Honda South America Rally Team (HSA), que irá reunir pilotos do Brasil, da Argentina e… da França.

Vamos lá!

Qual a estratégia da equipe Honda South America Rally Team para o Dakar 2016? Quem são os pilotos? 
O projeto Honda South America Rally Team (HSA) teve início no fim do ano passado, para participação dos pilotos Honda da América do Sul na edição 2015. A ideia é dar continuidade e seguir com a evolução do trabalho desenvolvido pela equipe, com foco no melhor resultado no principal rali do planeta. Para o Dakar 2016, os pilotos serão os seguintes: o brasileiro Jean Azevedo, o francês Adrien Metge e os argentinos Javier Pizzolito e Kevin Benavides.

Alexandre Cury, diretor da Honda Brasil. Marca é uma das maiores incentivadoras do esporte. Foto: Caio Mattos/Honda

Alexandre Cury, diretor da Honda Brasil. Marca é uma das maiores incentivadoras do esporte. Foto: Caio Mattos/Honda

O Adrien Metge e o Kevin Benavides serão os mochileiros?
Sim, farão o apoio ao Jean e Pizzolito. 

Por que desta vez não tem um piloto do Chile? 
Neste ano o projeto está concentrado no Brasil e na Argentina. Porém, tem uma estrutura flexível e dinâmica, podendo variar nos próximos anos com Chile e Peru.

Por que vocês escolheram um francês para fazer parte da HSA? 
O Adrien Metge será nosso piloto no Dakar junto com o Jean. Eles se conhecem, participam juntos de competições aqui no Brasil e também já dividiram a mesma equipe, como aconteceu no Rally dos Sertões. Chegamos à conclusão que entre todos os pilotos da Honda o Adrien é a melhor opção. Ele tem grande experiência em provas de rali, teve um ótimo resultado no Rally dos Sertões e fala o idioma oficial da organização, que é o francês. Ele também é irmão do Michel Metge, piloto oficial da HRC (Honda Racing Corporation). 

Como você avalia o novo roteiro do Dakar, com Argentina e Bolívia e sem as dunas do Atacama?
O novo roteiro será mais rápido do que os anos anteriores, já que não teremos dunas do deserto do Atacama, no Chile, e nem no Peru. Os dois países, como sabem, decidiram não participar da prova em 2016, ficando apenas Argentina e Bolívia. Tenho certeza que faremos o acerto ideal das motos Honda CRF 450 Rally para esse novo formato de roteiro. 

Qual a expectativa da Honda em relação ao Dakar 2016? 
A Honda sempre entra em uma competição com vários objetivos, e um deles é vencer. Mas também patrocinamos eventos, pilotos e equipes com o objetivo de promover a marca, fazer relacionamento com o público e concessionários e, principalmente, para desenvolver produtos cada vez melhores.

Cury e os pilotos Javier Pizzolito, da Argentina, ao centro, e Adrien Metge, da França: equipe Honda South America Rally Team. Foto: Caio Mattos/Honda

Por que apostar somente no Jean Azevedo? Não têm outros pilotos brasileiros que poderiam participar da equipe Honda South America Rally Team?
O Jean é o melhor piloto de rali brasileiro da atualidade, com várias participações no Dakar, tanto de moto quanto de carro, com resultados muito expressivos, como a vitória de etapas na África, e um quinto lugar na classificação geral. Sem contar os seis títulos no Rally dos Sertões. Aos 41 anos, esta será a 18ª vez que Jean vai encarar no Dakar. É nesta experiência que a Honda aposta.

O que aconteceu com o Jean Azevedo no Dakar 2015, que não obteve o resultado esperado? Ele não estava com a moto Honda CRF 450 Rally?
O Dakar 2015 foi uma prova duríssima e o Jean Azevedo conseguiu finalizar a competição em meio a tantas dificuldades. O 22º lugar não foi o esperado, mas o objetivo de fazer os testes no equipamento por um piloto experiente, como o Jean, foi cumprido. A moto utilizada pelo brasileiro foi uma versão da CRF 450 Rally usada pela HRC.

Joan Barreda, piloto da HRC (Honda Racing Corporation). Foto: Divulgação/HRC

Joan Barreda, piloto da HRC (Honda Racing Corporation). Foto: Divulgação/HRC

Quais as principais diferenças entre a moto CRF 450 Rally, utilizada no Dakar, e a CRF 450X, utilizada em provas nacionais, como o Rally dos Sertões?
O modelo CRF 450 Rally é um protótipo baseado na CRF 450X, moto de enduro/rali da Honda. A primeira versão da CRF 450 Rally foi desenvolvida para o Dakar 2013. Após a competição, foram levantadas informações referentes à potência do motor, desempenho aerodinâmico, durabilidade e manutenção, que foram usados como base para futuras modificações no design e melhorias.

Há rumores de que nos próximos anos o Dakar poderá largar no Brasil, do Paraná ou Rio Grande do Sul. Como você vê essa possibilidade? Considera interessante para o desenvolvimento do esporte aqui no país?
Nós patrocinamos o Rally dos Sertões, no Brasil. Em nível mundial, a Honda patrocina a empresa francesa A.S.O., organizadora do Dakar. Com certeza seria muito importante para o desenvolvimento do esporte a largada do Dakar em alguma cidade brasileira.

E o que você acha de o Brasil fazer parte da rota do Dakar?
Ter uma prova internacional, sendo a principal e mais difícil prova off-road do mundo no Brasil, é muito importante para o desenvolvimento do esporte. Seria mais um grande evento esportivo no país, que recebeu a Copa do Mundo em 2014 e receberá as Olimpíadas em 2016. Com a passagem do Dakar no Brasil, abrem-se portas para que mais pilotos brasileiros possam participar da competição, além de ser uma ótima oportunidade comercial. Contudo haveria de qualquer forma grandes desafios pela frente, além do momento que o país atravessa seria fundamental a cobertura ampla e extensa da mídia brasileira, fator chave de retorno do investimento dos patrocinadores.

Leia entrevista com Guilherme Spinelli, da Mitsubishi, sobre a participação da marca no Dakar 2016.

Ricardo Ribeiro, paulista, 44 anos, é jornalista, louco por internet, tecnologia, fotografia e café. Já participou dos maiores ralis do mundo, como o Paris-Moscou-Ulan Bator-Pequim, entre França, Alemanha, Holanda, Finlândia, Rússia, Cazaquistão, Mongólia e China. Também cobriu quatro vezes o até então ‘Paris-Dakar’ no Marrocos, Mauritânia, Líbia, Egito, Tunísia, Mali, Burkina Faso e Senegal, na África. Já trabalhou na divulgação de mais de 10 edições do Rally dos Sertões, Enduro da Independência e Rally Cerapió/Piocerá, no Brasil. O conteúdo produzido por Ricardo Ribeiro foi amplamente divulgado pelo jornal O Estado S.Paulo, Jornal da Tarde, Agência Estado, Rádio Eldorado e pelos canais ESPN Brasil, Band, Record e SBT, além de importantes revistas especializadas como Quatro Rodas.

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